Arrumando as malas

A tão esperada viagem está chegando e entre os preparativos surge a essencial missão de arrumar a mala. Para muitos a parte mais chata da viagem, preparar a bagagem exige organização, racionalidade e desapego, principalmente para as mulheres, que querem usar todos os seus looks favoritos na sua viagem dos sonhos.
É claro que adoro andar bem vestida e aparecer arrumadíssima nas minhas fotos, mas depois que passei uma semana em Paris, no inverno, com uma mala de mão daquelas que cabem com folga no medidor da Ryanair, que incluía, além das minhas roupas, a roupa de cama que eu iria usar, percebi que arrumar a mala exige também alguma técnica. 
E depois de muitas viagens longas de low cost, em que rodava por diversas cidades no mesmo roteiro, me hospedando em quartos coletivos de albergue sem nenhum espaço para guardar meus objetos pessoais, desenvolvi minha própria técnica para arrumar a mala, que agora divido com vocês.
O momento é mais que oportuno, pois estou arrumando a mala para minha próxima viagem. Dessa vez o desafio é levar, em uma bagagem de no máximo dezessete quilos, roupas para vinte e cinco dias de andanças, incluindo momentos de calor, praia, cidade e um frio leve no Vietnam, Além disso a mala precisa ser suficientemente prática para suportar seis mudanças de hotel sem muita perda de tempo com arrumações.
Minha primeira opção é sempre por usar aquelas malas duras de rodinha.  Já tentei mochilāo por duas vezes, mas não adianta, não me adapto. Primeiro porque as coisas ficam amontoadas lá dentro, sendo que pra tirar uma peça as vezes é preciso botar para fora todas as outras. Tem também o peso nas costas e o fato de eu sair esbarrando mas pessoas, principalmente nos metrôs lotados. Admito que deve ser incompetência minha, mas fato é que no meu primeiro mochilāo pela Europa, que durou quarenta dias, a mochila durou apenas dez. Foi trocada por uma mala de rodinha comprada de um chinês na rua. A mala mudou minha vida. Só deu trabalho em um hostel que não tinha elevador e chegou acabada ao Brasil, porém cheia de histórias para contar. 
Escolhido o tipo de bagagem, vem aí o grande truque: organizar as roupas na mala como se ela fosse um pequeno armário. As calças, saias e shorts vão dobrados em pilha de um lado, as blusas, do outro, e os acessórios vão no meio, entre as duas pilhas de roupa. As roupas íntimas e meias vão na redinha interna que fica na parte de cima da mala. Finalizada a arrumação vêm, por cima, os casacos (caso o lugar seja frio) e depois a nécessaire e os sapatos (poucos sapatos! Isso é primordial). Chegando no hotel basta pendurar os casacos, tirar os sapatos e pronto: tenho um armário super organizado dentro da minha própria mala.
Esse tipo de arrumação sistemática mas muito funcional é perfeito para viagens nas quais há muitos deslocamentos, pois assim não é necessário desarrumar e arrumar a mala várias vezes, a cada chegada e partida. Já economizei muito tempo e trabalho organizando a mala assim, mas também demorei a aprender qual era a melhor forma de fazer isso.
Sobre o tipo de roupa, minhas dicas são as seguintes: peças lisas, escuras, que não amassem e que combinem entre si. Se aquela blusa que você ama só dá certo com uma saia específica, esqueça. Quanto mais combinações for possível fazer com as mesmas peças menos roupas repetidas você usará. E para não parecer que estou sempre igual, procuro caprichar nos acessórios: lenços, cachecóis, cintos, colares e meias-calças transformam um mesmo vestido preto em looks completamente diferentes, com a vantagem de serem versáteis, leves e ocuparem pouco espaço na mala.
Se no local para onde estou indo estiver um frio daqueles dois casacos resolvem: um no corpo e outro ocupando metade da mala (o ideal seria poder se livrar deste). Para os pés, menos é sempre mais: sapato ocupa espaço, pesa e chamará menos atenção que sua bagagem gigante. Além disso, já entendi que como gosto de andar o dia inteiro quando estou viajando, nada serve também para os pés como um bom e velho tênis.
Como mala de mão, levo apenas uma mochila pequena, unicamente porque não posso levar os eletrônicos e minha máquina fotográfica enorme na mala, por razões óbvias que só descobri após ser furtada no famoso golpe da cesárea, no qual funcionários do aeroporto abrem sua mala sem deixar qualquer vestígio e tiram de lá tudo o que interessa. Acho mala de mão a coisa mais chata do mundo, portanto, quanto mais leve melhor.
E para viagens longas como a que estou fazendo agora, a lavanderia é sempre a melhor opção para evitar exageros.
Por fim, a grande dica: toda vez que aquele conjuntinho estampado lindo que você ama (mas que ocupa muito espaço e só será usado uma única vez) vier à sua cabeça, lembre-se o quanto mala é uma coisa chata (não é a toa que tem esse nome) e o quanto você não precisa, justamente nas suas merecidas férias, ficar arrumando e desarrumando bagagem, fazendo força pra fechar malas que com certeza não fecharão antes de explodir, empurrando pesados trambolhos pra lá e pra cá e pagando excesso de peso em todos os voos que você pegar. Isso sim não é nada chique. É over e chato.

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