28 de mar. de 2014

Primeira parada, Bangkok: impressões e dicas práticas

Sempre que pensava em ir para a Ásia, o primeiro lugar que me vinha à cabeça era Bangkok. Havia muito tempo que eu era louca para conhecer a cidade, só não sabia exatamente porquê. São esses sonhos doidos de viagem, muitas vezes sem fundamento, nos quais colocamos uma coisa na cabeça e pronto, nada mais tira.
Imaginava Bangkok como uma Nova York ou Londres asiática e como apaixonada por metrópoles cosmopolitas como essas tinha certeza que ira amar a capital tailandesa. Mas a verdade é que, embora não tivesse muita noção sobre o que iria encontrar por lá, o que eu encontrei não foi bem o que eu esperava. Talvez Bangkok até seja a Nova York asiática, mas, como tal, tem suas excentricidades.
É que, apesar de contar com uma área super moderna, Bangkok não se destacou, ao menos para mim, pelos seus ares de megalópole. O que encontrei de melhor na cidade foi justamente o seu lado histórico e religioso, que em nada se assemelha com a modernidade que eu esperava encontrar. E, apesar dos muitos momentos de clímax proporcionados pela cidade, não me encantei perdidamente pela capital da Tailândia.
Uma das vistas  mais agradáveis de Bangkok, na beira do rio, com seus prédios modernos ao fundo
De fato é uma cidade meio louca, como todo mundo imagina, caótica, como sempre ouvimos falar, e enorme, como já era de se esperar. Mas é também uma cidade quente demais, com o trânsito terrível demais, um tanto suja e, pra ser bem sincera, feia.
Sem se prestar atenção aos detalhes, Bangkok é apenas uma cidade grande
Isso não quer dizer que Bangkok não mereça nossa visita. Muito pelo contrário, seu lado louco e religioso são, por puro paradoxo, motivos mais do que suficientes para colocá-la no topo de qualquer lista de destinos essenciais. Seus templos budistas são verdadeiro oásis de beleza indescritível em meio ao caos da cidade. E vale dizer: não me apaixonei por Bangkok, mas foi em Bangkok que me apaixonei pela Ásia.

Monges dividem a rua com motos no trânsito caótico de Bangkok: e viva o paradoxo
Os templos da cidade são locais de beleza e tranquilidade e se destacam em meio à paisagem feia e cinza da cidade


Foram cinco dias inteiros na cidade, que considero suficientes para conhecer o essencial. Em um dos dias fizemos um tour para Ayutthaya (que depois eu conto como foi) e nos outros quatro exploramos os templos da capital e suas áreas mais modernas. Optamos por não fazer nenhum outro tour, por dois motivos: achávamos que precisávamos de pelo menos quatro dias na cidade e os principais passeios pelas redondezas da capital não nos atraíram. Já iríamos ver uma cachoeira belíssima e andar de elefante no Laos, motivo pelo qual riscamos o Erawan Parque do roteiro. Sobre o Tiger Temple, já iríamos no Tiger Kingdom, em Chiang Mai, onde, segundo li, os tigres são melhor tratados. Por fim, sobre o mercado flutuante, ouvimos dizer que era turístico demais e um tanto quanto fake, então achamos que não valeria a pena.
Em quatro dias fiz basicamente tudo o que gostaria, tirando a ida a um Sky Bar, que deixei para o último dia e não consegui ir. Meus amigos foram e tiraram fotos maravilhosas, então recomendo que vocês não façam como eu. Acho que vale muito a pena, por mais caro que seja comer ou beber qualquer coisa nesse tipo de bar. Enfim, ficou um bom motivo para voltar.
A questão fundamental em Bangkok é que lá não dá para fazer turismo no mesmo ritmo que se faz em outros lugares, a não ser que se contrate um desses day tours, que definitivamente não são a minha praia. É que embora a maioria das atrações esteja concentrada em uma área da cidade, as distâncias não são curtas e os meios de transporte públicos não são lá essas coisas. Eu amo andar, pois acho que é a melhor forma de conhecer um lugar, e estando hospedado próximo à Khao San Road, a famosa rua dos mochileiros, dá para conhecer praticamente tudo caminhando, como eu fiz. O problema é que a cidade é quente demais (e olha que eu fui no inverno), o que torna impossível andar o dia todo no ritmo que estou acostumada. Além do mais, em Bangkok parava todos os dias para almoçar e jantar. Não costumo ter esse hábito, mas amo tanto comida tailandesa que queria experimentar a maior quantidade possível de pratos em apenas duas semanas. Resultado: voltei ainda mais apaixonada pela comida de lá!
Os táxis em Bangkok são uma boa alternativa de transporte, pois não são caros. Mas para isso é preciso negociar o preço antes, sendo que o valor inicial sugerido pelo motorista sempre pode ser diminuído. Uma única vez pegamos um motorista que topou ligar o taxímetro e só aí percebemos que táxi na cidade é ainda mais barato do que vínhamos pagando e que estávamos sendo extorquidos pelos motoristas em todas as nossas corridas. Mas não tem jeito, é assim e pronto. 

Logo na chegada tivemos a "sorte"de pegar um motorista golpista. Saímos do aeroporto de trem até a estação mais próxima do nosso hotel, mas como não era tão próximo assim, precisamos pegar um táxi. O motorista disse que rodaria no taxímetro, mas no meio da corrida simulou que o aparelho havia quebrado. Deu inclusive uns tapinhas para mostrar que estava engajado em consertá-lo, o que não foi nada convincente. Resultado: ficamos putos da vida, mas pagamos R$20,00 por uma corrida que valia R$10,00. Ou seja, muito mais chato pela situação do que pelo prejuízo financeiro em si. Mas tirando esse malandro que logo de cara fez a gente maldizer o país inteiro, não tivemos mais nenhuma situação de tentativa de golpe, tirando, é claro, os clássicos golpes do templo fechado e do Tuc Tuc, que acontecem em 100% das vezes, mas que todo mundo já sabe e passa ileso.
Com o Tuc Tuc é assim: ele sempre vai te oferecer um preço ridiculamente barato para te levar aonde você quer, mas ele sempre vai parar em lojas no caminho. Você pode até dizer "no stop" ou “directly” e ele até vai te levar. Mas o preço cobrado será absurdo, quase o dobro do que o de um táxi comum. Por essas e outras só andei de Tuc Tuc uma vez. Ta aí o registro.


Já o golpe do templo fechado é tão batido que um auto-falante anuncia minuto a minuto nas redondezas do Grande Palácio: o museu está sempre aberto, sempre! Concluindo, tratam-se apenas de golpes inofensivos, que obviamente chateiam, mas não chegam a atrapalhar a viagem. Eu particularmente não me senti insegura em nenhum momento, em nenhuma das cidades que visitei na Indochina.
Voltando ao assunto dos transportes, o único problema de andar muito de táxi por Bangkok é o seu trânsito sempre infernal, Em um dia tivemos que parar em um lugar para jantar para ver se o engarrafamento diminuía, de tão parado que estava. Mas para alguns lugares é inevitável passar por isso, principalmente porque o metrô não chega na região dos templos. Ou seja, impossível fazer tudo de metrô, assim como é impossível fazer tudo a pé, já que a cidade é gigantesca. Quanto aos ônibus, não andamos, porque como estávamos em uma turma de sete pessoas sempre valia mais a pena pegar um táxi.
Sobre hospedagem, existem diversas opções, tanto na área dos hotéis mais modernos como na área da Khao San Road. Optei por ficar na segunda, porque dá para conhecer quase todos os templos a pé e porque dá para conhecer bem a noite da região sem deslocamentos. Tudo bem que a noite não é lá essas coisas, mas é no mínimo divertida. Gostei bastante de ficar hospedada ali, em meio a toda aquela loucura.
Os luminosos revelam tudo o que a Khao San tem a oferecer
Meu hotel ficava exatamente na Khao San, o que foi ótimo, mas poderia ter sido uma tortura. Como nosso quarto não dava de frente para a rua, o barulho era mínimo. Mas caso não fosse assim, seria absolutamente impossível dormir lá. Portanto, se vai ficar na Khao San Road, é essencial pegar um quarto dos fundos. 
Vista do corredor do hotel, no meio do agito barulhento da Khao San
A segunda desvantagem dessa localização é que a rua amanhece sempre MUITO suja. Portanto, se você prefere lugares mais limpinhos, fuja! 

Em compensação, estando na Khao San você estará perto dos templos e de muitos bares, restaurantes e casas de massagem, principalmente na Rambuttri Street, paralela à Khao San, onde os lugares são super arrumadinhos e agradáveis. Eu amei ficar ali e também gostei muito do meu hotel. 
Buda gigante em um bar próximo à Khao San Road
Bar super arrumadinho na Rambuttri St.
Casas de massagem não faltam nessa região. Ótimo para relaxar após caminhar o dia todo pela cidade
Ficamos no  Dang Derm, um hotel bem grandinho no coração da Khao San Road. Os quartos eram amplos e com decoração bem bacana. A cama era no chão e o banheiro todo de madeira. O único porém é que não havia cortina no chuveiro, mas isso é padrão na Ásia. O atendimento era bom e havia uma piscina linda e super gostosa na cobertura do prédio. E acredite: em Bangkok, uma piscina é quase um item de necessidade básica. O café da manhã do hotel é terrível, mas é possível pagar um preço mais baixo pela diária sem a refeição incluída. A localização é excelente e o que não faltam são lugares muito próximos ao hotel para fazer todas as refeições, incluindo o café da manhã, por um preço muito razoável. 
A piscina do hotel, perfeita para se refrescar após caminhar no calor de Bangkok
Falando em preços, esse é o ponto alto da viagem à Indochina, incluindo Bangkok. Tudo por lá é ridiculamente barato, incluindo comida, hospedagem, transporte e todo tipo de serviço. Isso faz com que seja possível fazer praticamente tudo o que temos vontade sem aquela preocupação chata com o dinheiro que sempre nos ronda a cabeça quando estamos, por exemplo, na Europa. E quando digo barato, é barato mesmo. Chegamos a pagar menos de R$5,00 em um prato principal em um restaurante e as diárias de hotéis bem arrumados, com piscina e café da manhã, chegavam a U$30,00 o casal. É por essas e outras que dá pra ser muito feliz nesse cantinho do planeta.

Para comer, Bangkok é um lugar mágico. Lá você encontra de tudo, desde comidas de rua até o trigésimo segundo melhor restaurante do mundo e primeiro da Ásia, o Nahm, especializado em autêntica comida tailandesa. O preço é salgado para os padrões de lá, mas não muito se comparado ao Brasil.
O excêntrico cardápio de sobremesas do Nahm
E nossa escolha: sopa doce de macarrão e arroz na água de castanhas com tapioca (sim, tapioca, super comum por lá) e creme de coco
Na rua e nos muitos restaurantes espalhados pela cidade dá pra comer espetinho de escorpião ou de grilo e dá para se deliciar com o melhor da super apimentada comida tailandesa. Eu amei a culinária de toda a região e me orgulho de em 27 dias de viagem pela Ásia não ter almoçado ou jantado uma única refeição ocidental. Na Rambuttri Street tem vários restaurantes agradáveis, como o Green House, que conta ainda com uma ótima agência de turismo. Mas cuidado: sempre que no cardápio constar a expressão hot spicy pode ser que o prato seja "incomível", como aconteceu com a thai papaya salad. No mais, vale se deliciar com os currys, pad thais e molhos agridoces, que, acompanhados daquele arroz empapado, fazem da culinária tailandesa uma das mais amadas do mundo.
Vai um grilo frito aí?
Pode ser também escorpião...

Ou fique a contade para escolher: larvas, baratas, bicho da seda entre outras... delícias! 
Para a sobremesa, picolé de feijão...
... ou arroz com inhame.
No próximo post eu conto tudo o que fizemos em Bangkok, incluindo os momentos boquiabertos face à beleza dos templos budistas e às loucuras da cidade.

 - Como chegar em Bangkok: Voamos para Bangkok com uma combinação de voos da TAP e da Thai. O serviço da TAP está cada vez pior e na Thai, embora a comida seja ótima, as aeromoças sejam muito simpáticas e o avião seja lindo, suas cadeiras coloridas são ainda mais apertadas que o normal, o que rende uma viagem bastante desconfortável. Na próxima ida para a Ásia vou testar a American Airlines, embora minha vontade real fosse de ir pelo Oriente Médio, experimentar uma das melhores companhias aéreas do mundo. 
Thai Arways: a comida boa não compensa
Fizemos a viagem de ida e de volta direto, ou seja, apenas com as paradas das escalas. Não recomendo, pois foi extremamente cansativo, principalmente na volta. Ficar um ou dois dias na Europa, EUA ou Oriente Médio é excelente para esticar as pernas e ir se acostumando ao fuso para que o jet lag não seja tão cruel.






7 comentários:

  1. Adorei as dicas, a Thailândia está nos meus planos para um futuro breve! Só vou dar uma sugestão, acho o fundo preto com letras brancas bem cansativo para vista, acho que pelo tamanho da fonte ou só falta de hábito mesmo, achei que dificulta um pouco a leitura, mas enfim minha opinião. O Leo que fez a viagem com vcs que me contou do blog e me identifiquei muito! Vou acompanhar sempre. :)

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    1. Oi Bia, tudo bem? Que bom que gostou das dicas. E obrigada pela sua dica! Concordo com você, não gosto do fundo preto...mas quando fiz o blog não sabia mexer em nada (continuo sem saber, rs) e deu um trabalho danado...agora não consigo alterar mantendo o que já fiz. Mas assim que sobrar um dinheirinho vou investir na página e aí vou pedir um profissional para fazer bem legal e confortável para leitura. Fique a vontade para dar sugestões! É ótimo para mim! :) Beijos

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  2. p.s Não entendi o que eles ganham com esse golpe do templo fechado. E os insetos são bons? E esse picolé de feijão?

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    1. Eles dizem que o templo está fechado e se você acredita, te levam para outros lugares como lojas, para ganhar comissão...uma bobagem... já cai em um exatamente igual no Marrocos, para era pior. eles foram bem agressivos e no final obrigaram a gente a dar dinheiro pra gente. Infelizmente temos que lidar com isso em viagens, né?! Os insetos não são bons não, pois tem gosto apenas de óleo velho...talvez se fosse bem feitinho até fosse melhorzinho. Já o picolé de feijão é médio, mas o de arroz com inhame é delicioso :P

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    2. Ah obrigada por responder Flávia, vou lembrar destas dicas quando for lá! :)

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  3. Vc fez uma ótima descrição de BKK. Acho que a Tailândia, de uma forma geral, vale muito a visita, mas "nem tudo são flores". Fascina mais pelo estilo de vida, completamente diferente do nosso, do que pelos atrativos individualmente considerados. Juliana

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    1. É exatamente isso, Juliana. Vale a pena por ser tão diferente! :)

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