3 de jan de 2014

Parque Estadual do Ibitipoca, Minas Gerais

O Parque do Ibitipoca é uma reserva florestal localizada no município de Lima Duarte, Minas Gerais. A base para os turistas que visitam o parque é a pequena vila de Conceição do Ibitipoca, que fica a 290 km de Belo Horizonte e 230 Km do Rio de Janeiro, sendo 27 km de estrada de terra.
O parque foi eleito pelos internautas do Trip Advisor como o terceiro melhor da América Latina e o segundo melhor do Brasil. E isso não foi à toa. Além de ter paisagens incríveis, incluindo mirantes, grutas, cachoeiras e praias de água doce banhadas por um rio cor de coca-cola, o parque é extremamente organizado e bem cuidado. Todas as trilhas são muito bem sinalizadas, permitindo que os visitantes explorem a reserva sem o acompanhamento de um guia.
A natureza da região é marcada pelo mar de montanhas que se avista de todos os pontos mais altos do parque, bem como pela vegetação típica de campos rupestres, cujos pontos altos são as bromélias, orquídeas e cactos que se encontram ao longo de todas as trilhas. 
 

Mas o principal atrativo do lugar é o Rio do Salto, com sua água marrom escuro, porém muito transparente, que forma lagos, praias e cachoeiras deliciosas por todo o parque. A cor da água é provocada pela decomposição da matéria orgânica vegetal e, em contraste com o verde da vegetação, forma uma paisagem única e estonteante.
O parque possui estrutura de camping e um restaurante, mas o bom mesmo é se hospedar em alguma das inúmeras pousadas charmosas e aconchegantes da vila e aproveitar a noite para curtir seus bares e restaurantes.
A Igreja de Conceição do Ibitipoca
Já visitei o Ibitipoca por seis vezes, portanto nem preciso dizer o quanto sou apaixonada pelo lugar. Todas as vezes que vou o mesmo pensamento me vem à cabeça quando me deparo com o primeiro poço de água límpida e marrom à beira de um paredão de pedra: “Uau! Como esse lugar é lindo.”
Para entrar no parque é necessário pagar um ingresso, cujo valor varia entre R$10,00 e R$20,00, de acordo com o dia. E atenção! A entrada é limitada a 300 pessoas por dia, durante a semana, e 800 nos finais de semana e feriados. Portanto, é preciso chegar cedo ao parque para garantir o seu lugar.
O parque tem basicamente três trilhas, que podem ser feitas em três dias.
1 – Roteiro das Águas
Esse roteiro é o mais curto e o mais gostoso para quem gosta de curtir cachoeiras. São 5 km (ida e volta) de caminhada, com diversos pontos de interesse, entre grutas, cachoeiras, praias de água doce, mirantes e lagos. Eu prefiro fazer a trilha no sentido anti-horário. Para isso, desça a trilha que começa no restaurante e vire à direita, rumo à Cachoeira dos Macacos. A caminhada será sempre acompanhando o rio e será possível parar para um mergulho quando o calor apertar.

São dois poços ótimos para nadar e diversas quedas d`água até a Ponte de Pedra, um arco formado pela erosão provocada pelas águas no paredão de pedra. 
Após apreciar a belíssima paisagem da ponte, siga para a Cachoeira dos Macacos, a melhor para banho do parque.
Bem próxima a ela está a Cachoeira da Pedra, onde não é possível nadar, embora o simples fato de observar a queda de noventa graus por cima seja suficientemente compensador. A paisagem é literalmente de tirar o fôlego, principalmente para quem gosta de altura. A volta será no sentido oposto, pelo enorme paredão de pedra, rendendo vistas deslumbrantes do rio e do parque. 
 

A seguir, siga no sentido do Lago dos Espelhos, onde existe uma praia super gostosa para relaxar e tomar sol e uma pequena queda d`água para refrescar.

Na volta você ainda irá passar pela prainha, o ponto para banho mais próximo do restaurante e que, por causa disso, fica sempre lotado. Bom para um último mergulho antes de deixar o parque.
2 – Roteiro Janela do Céu
Esse é o roteiro mais puxado do parque, mas também o mais imperdível. Ao todo são 16 km e o destino final é a Janela do Céu, cujo nome define exatamente o que você vai encontrar.
A trilha começa bem na entrada do parque e essa á a pior parte: quatro quilômetros de subida muito íngreme, que exige bom preparo físico dos visitantes. Preciso ser sincera e dizer: o caminho é muito difícil e cansativo, mas todo esforço será recompensado. Por tudo isso, recomendo que essa trilha seja feita em um dia em que não haja tanto sol. Se não for possível, prepare o filtro solar, o boné e leve muita água e comida, pois ao longo das trilhas não é possível comprar nada.
Depois da subida arrasadora, a primeira recompensa, no alto alto do pico da lombada: um mar de montanhas se abre diante dos nossos olhos, em uma das paisagens mais bonitas que já vi.
A partir daí o caminho é longo, mas bem tranquilo. Você irá passar por três grutas, sendo a dos Fugitivos e a dos Três Arcos as mais interessantes
A gruta dos Três Arcos
Mais um pouquinho de caminhada e lá estará ela: a Janela do Céu.
A Janela do Céu é um daqueles lugares que a gente tenta descrever, mas não consegue, e nos quais as fotos não dizem absolutamente nada sobre o que é realmente estar lá. Mas vamos a uma tentativa: trata-se de um poço de água muito gelada no meio da mata, de onde despenca uma queda d’água de 90 graus, onde é possível ficar horas e horas apreciando a floresta intocada e... o céu! Tem gente que se arrisca a nadar no poço, mas eu nunca consegui fazer isso, porque a água é sempre tão gelada que dá câimbra. Não é exagero. É que essa água fica encoberta por árvores, portanto, quase nunca bate sol. De toda forma você será obrigado a atravessar o poço para chegar no ponto alto do passeio. 
E o cenário, depois de tanto esforço, é esse aqui:


Adoro deitar na beira do penhasco e ficar contemplando o horizonte, com uma sensação impagável de paz e harmonia.
Depois de curtir muito a Janela do Céu, a caminhada continua rumo à Cachoeirinha, que de “inha” não tem nada. Trata-se de mais uma enorme queda d’água vertical que dá num pocinho onde também é possível nadar. Mas para isso você vai precisar encarar muita descida e, consequentemente, muita subida depois. Isso irá aumentar alguns consideráveis metros no seu roteiro, mas com certeza vale a pena.
A cachoeirinha
Também é possível acessar a Cachoeirinha através do rio. Para isso, na Janela do Céu siga nadando no sentido contrário à queda d`água. A água é gelada, mas o caminho é lindo.
Um dos poços para quem vai para a Cachoeirinha pelo rio
Depois de curtir a Janela do Céu e a Cachoeirinha, o caminho é apenas de volta, mas por uma trilha diferente da ida, o que garante paisagens diferentes, com destaque para um mirante, onde é possível mais uma vez apreciar o mar de montanhas de Minas.
Quase no fim da caminhada ainda é possível visitar a Gruta do Monjolinho, que conta com um lago. Mas eu aconselho deixar essa atração para o dia seguinte, pois ela também faz parte da terceira trilha do parque.
3 – Roteiro Pico do Pião
Essa é a trilha que menos gosto, porque tem pouca água, apesar dos 11 km de extensão (ida e volta). Por isso também não recomendo em dias de muito sol. A falta de água, contudo, é compensada pela paisagem de tirar o fôlego do Pico do Peão.
Ao longo do caminho você irá se deparar com orquídeas e bromélias em seu ambiente natural e com diversas grutas. Não deixe de parar para dar uma refrescada na Gruta do Monjolinho, único lugar onde é possível nadar. A gruta possui uma prainha e um lago. No fim do lago existe uma pedra vazada que pode ser atravessada por baixo, mergulhando. Atrás das pedras, uma pequena cachoeira escondida e exclusiva.

A Vila
Depois de visitar os circuitos do parque, aproveite para curtir a vila, que oferece bons restaurantes, incluindo comida mineira. Não deixe de provar o pão de canela, iguaria típica do lugar. Quentinho então...uhn...é delicioso!
As noites do Ibitipoca também são bastante animadas, com bares lotados, música ao vivo e o único, exclusivo, inusitado e sensacional Bar do Firma, onde a água é de graça (porque é um bem da humanidade) e a pinga desce do teto!
Para beber cachaça com mel basta avisar no balcão e a garrafa mais próxima da sua mesa cairá... do teto!

                         

Todas as informações sobre o Parque do Ibitipoca, incluindo localização, passeios, eventos, hospedagem e gastronomia você encontra aqui.
Um lugar imperdível, bem pertinho da gente.

8 comentários:

  1. Flávia que legal este post, Sou de Ubá (prox. a JF/Ibitipoca) e nunca fui ao parque, sempre ouvi dizer muito bem dele mas não detalhado como vocês fez, falando dos tipos de trilhas. Fiquei com vontade de atravessar a pedra vazada na terceira trilha e depois ir pro bar da firma!

    Alks.

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    1. É muito pertinho mesmo, Alks. Você tem que ir... Quem sabe da próxima não vai com a gente?! É lindo demais!!! Beijos

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  2. Todos que conhecem o Ibitipoca falam maravilhas de lá, mas eu nunca tinha procurado sabe detalhes. Esse post me deixou com vontade de ir correndo! Já estou pensando em ver se ainda há vagas nas pousadas para o carnaval!

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  3. Vai mesmo, Camila, É lindo e muito pertinho da gente. O carnaval é uma ótima época, pois apesar de ser temporada de chuva, o rio fica cheio. Se bem que já fui no carnaval e não choveu nada. Nesse réveillon também não teve uma gota de chuva. Depois pergunta pro Fred. Ele passou o ano novo lá com a gente. Beijos

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  4. IBITIPOCA: O Paraíso existe!

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  5. Oi flavia! sou do rio e fui pra ibitipoca no feriado de abril e foi maravilhoso. Isso gracas as suas dicas!! Antes de ir pesquisei nos blogs e amei so seu. Fiz o roteiro como voce sugeriu e valeu muito a pena. Super obrigada . Parabéns pelo blog!! Me ajudou muito. Amei a cachoeira dos macacos, minha preferida. Espero voltar la mais 5x como voce rsrs!!

    Bjs marcela Botteri

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    1. Oi Marcela! Obrigada! Fico feliz que tenha gostado das dicas e do passeio. O objetivo é justamente esse. Eu também amo a cachoeira dos macacos...pertinho e a queda é perfeita. Tomara que você volta muitas vezes, pois o lugar merece e todos nós também! :) Beijos

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