10 de jan de 2014

O interior da Lituânia

O interior da Lituânia é ainda mais calmo e pacato que sua capital, o que não quer dizer que não ofereça lugares interessantes para visita. As cidades são pequenas, vazias e tranquilas, com casas de madeira e ruas arborizadas que passam uma sensação de que o mundo moderno ainda não deu as caras por lá.
As estradas estavam lindas, ornamentadas pelo outono com tons de amarelo, vermelho e laranja. As rodovias são bem conservadas e de fácil circulação, mas um GPS é essencial no interior desse país onde somos quase todos analfabetos. A língua é pouco familiar e dificilmente será possível extrair qualquer entendimento de uma placa. Além disso, ninguém (ninguém mesmo) fala inglês. Isso significa que se você ficar perdido, ninguém vai poder ajudar. Aconteceu em uma das cidades em que fomos. Só conseguimos achar o que procurávamos por acaso, após muito tempo rodando feito baratas tontas. Nenhuma tentativa de contato com os locais funcionou. Eles são super solícitos e respondem a tudo o que você pergunta. Só que em lituano. E aí ficam eles rindo de lá e você rindo de cá. Simpatia é o que não falta.
O ponto alto do centro do país fica bem próximo à capital e pode inclusive ser visitado em um dia, de bate-volta de Vilnius, como eu fiz.
É o belíssimo Castelo de Trakai, de cor alaranjada, construído em uma ilha, no centro de um enorme lago. O castelo é realmente show de bola. Vale a pena ser visitado por fora e por dentro, onde fica um museu de história. 


Em Trakai vale a pena andar pela via que circula o lago, buscando as melhores vistas do castelo. Se o frio deixar, também é possível fazer um passeio de barco. Na orla do lago existem vários restaurantes e lojinhas e a cidadezinha é bem charmosa, com casas de madeira colorida.
 

Partimos de Vilnius rumo ao norte. Nosso próximo destino seria a Letônia, não sem antes conhecer um pouco mais do interior da Lituânia. Ao longo do caminho que liga Vilnius a Riga fizemos algumas paradas bem interessantes.
A primeira parada foi em uma cidadezinha muito pequena, da qual não me lembro o nome, que não tinha nada além de ruas fantasmas e um supermercado. Estávamos procurando um lugar que vimos no guia, mas provavelmente nos perdemos e viemos parar aqui.
Nada para fazer, nada para ver. Mas viajando tudo é encantador e caminhar por essas ruas ermas e floridas se tornou um passeio delicioso.

De lá partimos para Kédainiai, uma cidade com importância comercial por estar na estrada que liga Vilnius a Riga. Kédainiai tem apenas um ponto de interesse, que vale a visita. Trata-se dessa pracinha linda, de arquitetura singular, com um entorno de prédios também bastante interessantes:
A praça principal de Kédainiai
E um dos divertidos prédios em seu entorno
Depois descobrimos que essa era uma arquitetura bem próxima daquela que encontramos na Letônia, pela qual me apaixonei logo de cara.
Kédainiai merece uma parada se você estiver de carro pela região. Valeu pela pracinha e pela luta que foi encontrá-la em um lugar onde ninguém fala a sua língua, nem a língua do mundo. Um lugar onde apenas o lituano e as mímicas fazem sentido.
De Kédainiai desviamos um pouco da rota para conhecer uma das maiores atrações da Lituânia: o morro das cruzes.
Antes, porém, paramos em Siauliai, a cidade mais próxima da atração, para comer, andar um pouco e entender um pouco melhor o interior do país. Siauliai não tem nada demais, apesar de contar com um centro histórico. Mas tem uma rua de comércio bastante movimentada e interessante. Ótimo para tomar um café e apreciar o ir e vir dos lituanos.
Mas o foco do desvio não era a cidade, mas sim o Morro das Cruzes. Trata-se de um pequeno monte encravado com milhares e milhares de cruzes cristãs. Inusitado e diferente de tudo o que já vi.



As cruzes começaram a ser colocadas no morro em protesto contra a repressão russa do século XIX. De acordo com o guia, no fim daquele século havia no morro 150 cruzes. Em 1914, eram 200. Com a invasão soviética, em 1940, elas se multiplicaram ainda mais. Em 1961, o morro foi destruído pelo governo ateu. Imediatamente as cruzes reapareceram levando o governo a destruir tudo novamente...e novamente depois... até que o governo resolveu deixar as cruzes pra lá.
O lugar é considerado sagrado por cristãos do mundo todo, que fazem do morro um local de peregrinação. É forte, bonito e também divertido ficar procurando os lugares de onde vieram as cruzes.
E assim deixamos a Lituânia rumo à vizinha Letônia, já certos de que a escolha de visitar os Bálticos foi extremamente feliz.

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