18 de dez de 2013

Três dias em Lisboa

Como disse aqui, muita gente me pede dicas do que fazer em Lisboa e a grande maioria não tem muito tempo para desbravar a cidade.
Por isso montei esse roteiro com o que eu mais gosto na capital portuguesa e com aquilo que considero essencial para quem visita a cidade pela primeira vez. É claro que não está tudo aqui, mas fiz uma seleção do que acredito ser imperdível. Quem tem menos tempo, vai ter que voltar, quem tem mais, pode fazer tudo com calma, aproveitando ainda mais as andanças pelas charmosas ruas da cidade e as paradas nos deliciosos restaurantes lisboetas. Nesse caso, aconselho que as refeições sejam regadas a vinho... muito vinho!
Ps: não vou dar dicas de museus, pois não sou fã e quase não vou (já falei isso antes). Para hospedagem, transporte e restaurantes, clique aqui.
Ps2: A ordem dos dias pouco interessa, sendo que diversos fatores podem ser determinantes na sua escolha sobre o que fazer em cada dia. Por exemplo, aos domingos, até as 14 horas, diversas atrações têm entrada gratuita, sendo um bom dia para visitar Belém (porém coloque na conta as filas quilométricas). Por outro lado, visitar a Baixa no domingo é uma grande furada, mesmo no verão, pois o movimento diminui consideravelmente. O clima também é determinante. Se estiver chovendo, por exemplo, não é uma boa visitar Belém. E por aí vai....
Ps3: Sobre a noite de Lisboa, dicas no fim do post.
Dia 1
Belém
Comece o seu passeio por Belém, onde estão a maioria das atrações que você espera conhecer em Lisboa.
1 – Pastéis de Belém
Como sou gulosa e viciada em um docinho, sugiro ir direto para a pastelaria mais famosa de Lisboa, comer o doce mais famoso de Portugal: o pastel de Belém. O pastel de Belém de verdade só se come aqui. Em qualquer outro lugar, o doce de massa folheada recheada com creme de natas se chamará simplesmente pastel de nata. Esse doce é muito comum em Portugal e é encontrado a qualquer hora do dia, em qualquer pastelaria da cidade. Mas como somos turistas, não queremos qualquer pastel, queremos apenas o de Belém, produzido pela antiga confeitaria de Belém, fundada em 1837, situada na rua de... Belém! Mas não se preocupe em encontrá-la, a fila na porta não deixará dúvidas que você chegou no lugar certo. Para comer a iguaria, são duas as opções: enfrentar a fila, comprar os pastéis para viagem e comer em pé mesmo, ou conseguir uma das disputadas mesas do interior da loja. Claro que essa é a melhor opção, em que você pode comer o doce acompanhado de um bom expresso. O diferencial do Pastel de Belém é que ele está sempre quentinho e fresquinho, pois com o movimento do lugar as fornadas são produzidas a todo vapor.
2 – Mosteiro dos Jerônimos
Satisfeito com o pastelzinho, siga em frente por alguns metros e lá estará ele, o Mosteiro dos Jerônimos. O prédio é belíssimo e grandioso e os detalhes da arquitetura impressionam. Esse é um dos poucos prédios realmente antigos que existem em Lisboa, pois conseguiu resistir quase intacto ao grande terremoto de 1755. Na igreja que fica na entrada do Mosteiro estão enterrados alguns portugueses ilustres, como Vasco da Gama, Camões e Fernando Pessoa. A entrada é livre. Para visitar a parte interna do mosteiro será necessário pagar (existe a possibilidade de combinar o ticket com o de outras atrações). Eu recomendo a entrada. Menos pelo museu e mais pela beleza do pátio interno. O prédio é realmente maravilhoso.
Detalhe da arquitetura do Mosteiro dos Jerônimos
E o belíssimo pátio interno
3 – Padrão dos Descobrimentos
Atravesse o parque em frente ao Mosteiro e você chegará ao Padrão dos Descobrimentos, o grande monumento em formato de caravela, construído em homenagem às descobertas portuguesas. O monumento é lindo e sua posição de frente para o Tejo, com a ponte 25 de abril ao fundo, forma um cenário perfeito. A impressão é que a caravela está de fato saindo para o mar. Na frente do monumento, no chão, um enorme mapa destaca as rotas e conquistas portuguesas. Dentro do prédio existem algumas salas de exposição, mas confesso que nunca entrei para conferir.
Rumo ao desconhecido e ao Brasil
O detalhe dos descobridores
4 – Torre de Belém
Saindo do Padrão dos Descobrimentos, siga rumo ao leste pela beira do Tejo até a Torre de Belém. Dessa vez a caminhada é um pouco maior, mas bem agradável. A Torre não é grande, como você já deve ter ouvido falar, mas é linda e fica em um cenário também belíssimo. Existe a possibilidade de entrar na Torre, mas eu sinceramente não recomendo. Não há nada de interesse para se ver por lá.
A torre por fora...
...por dentro...
... e incluída no lindo cenário do Tejo
De Belém, siga para a Baixa. Você pode ir de taxi ou de uma combinação de elétrico + metro.
Baixa/Chiado
Dê uma volta pela Baixa, incluindo a Rua Augusta, suas paralelas e perpendiculares. O local é cheio de restaurantes, pastelarias e lojas das mais conhecidas marcas internacionais. Passe pelo Elevador de Santa Justa, mas evite a fila para subir. Ele te levaria até o Chiado, mas posso garantir que ir a pé é muito mais gostoso. Suba pela Rua do Carmo até a famosa sorveteria Santini. De lá, pegue a Rua Garrett, uma das mais badaladas do bairro. À direita, fica o Convento do Carmo e um pouco mais acima o famoso Café A Brasileira, com a estátua de Fernando Pessoa sendo disputada pelos turistas ávidos por uma foto clássica. Se ainda tiver pique, continue subindo no sentido do Bairro Alto, para dar uma volta por suas ruelas durante o dia. O Bairro, como é chamado pelos lisboetas, está cheio de lojas de design super modernas e interessantes e está também cheio de miradouros com vistas de tirar o fôlego. Meu preferido é o de São Pedro de Alcântara, com vista para o castelo e a Alfama. Mas não deixe de ser perder pelas ruelas do Bairro em busca de outros ângulos perfeitos.
A Rua Augusta, com a Praça do Comércio ao fundo
A vista estonteante do Miradouro São Pedro de Alcântara
Dia 2
Avenida Liberdade e Marquês de Pombal
Comece o dia na Praça do Rossio, ótima para um café e para apreciar o movimento da cidade. Não deixe de olhar para cima para ver o Castelo, pois o início da praça é de onde se tem o seu melhor ângulo. 
Fonte na Praça do Rossio
Siga no sentido da belíssima Estação Restauradores e de lá continue a caminhada pela luxuosa Avenida Liberdade até a Praça Marquês de Pombal. Continue subindo pelo Parque Eduardo VII até o topo, de onde você será brindado com mais uma vista incrível de Lisboa. De lá é possível avistar a Praça Marquês de Pombal, toda a extensão da arborizada Avenida Liberdade, o castelo, a Baixa, a Alfama e o Tejo. É como se você tivesse Lisboa inteira diante de seus olhos. 
Mais uma linda vista de Lisboa, no alto do Parque Eduardo VII
De lá, volte para a Baixa e siga pela Rua Augusta até a Praça do Comércio. Dê uma volta pela praça e aproveite para apreciar o Tejo de perto. Próximo dali fica o ponto do charmoso Elétrico 28. Pegue o bondinho que te levará ao lugar mais especial de Lisboa: a Alfama.

Alfama e o Castelo de São Jorge
Desça do elétrico na parada Portas do Sol e dê de cara com a vista mais perfeita de Lisboa (se eu disser que outras são a mais perfeita, não repare, é porque é difícil escolher e ao me lembrar de cada uma fico bastante volúvel...). 
Ver os telhadinhos cor de terra da Alfama se misturando com a imensidão azul do Tejo é um alento para os olhos e para a Alma. De lá, siga a pé para o Castelo de São Jorge. 
Não deixe de entrar no Castelo, o espaço é super agradável para caminhar. Além disso, é claro, você terá direito a mais algumas vistas de tirar o fôlego. Não deixe de andar pelas muralhas e de visitar o Periscópio, na Torre de Ulisses. O periscópio, sistema óptico de lentes e espelhos inventado por Leonardo Da Vinci no século XVI, permite examinar minuciosamente a cidade em tempo real. É sensacional!
Área interna do Castelo
E a bela vista da Baixa
Quando terminar a visita, tome o caminho de volta para a Baixa, mas dessa vez vá a pé, se perdendo pelas ruas labirínticas e escadinhas da Alfama, sob a sombra das roupas que secam nos varais do bairro.
O charme de um restaurante na Alfama
E suas inconfundíveis escadinhas

Dia 3
Parque das Nações
Reserve a maior parte desse dia para visitar o Parque das Nações, bairro revitalizado para a realização da Expo 98.
A melhor opção para chegar até lá é de metro. Na linha vermelha, desça na estação Oriente. O bairro é novo e moderno e acabou se transformando em um centro de atividades culturais e esportivas. Entre suas atrações encontra-se o famoso teleférico que liga uma ponta do parque à outra e o Oceanário de Lisboa, um dos maiores aquários do mundo, onde é possível apreciar espécies marinhas de todos os oceanos (minha sessão favorita é a do Oceano Índico, com seus peixes ultra-coloridos). Para quem gosta, existe também um grande Shopping Center, o Centro Comercial Vasco da Gama, mas sem nada muito especial.
Na volta do passeio, pegue o metrô até o Cais do Sodré e aproveite para fazer uma caminhada pela pista nas margens do Tejo. O por do sol visto dali, com a ponte 25 de Abril ao fundo, é lindíssimo.
Se der tempo, antes do por do sol aproveite para conhecer o bairro residencial de Santos, famoso por sua boêmia. É a oportunidade de conhecer uma área menos turística e super autêntica da cidade.
O bonito prédio da Assembléia da República, em Santos
Mais escadinhas típicas de Lisboa
E o cotidiano comum da cidade: senhorinhas na varanda, vendo a vida passar, enquanto as roupas secam no varal
Durante a Noite
A vida noturna de Lisboa é bastante animada e existem opções para todos os gostos, incluindo restaurantes conceituados, bares, discotecas (é assim mesmo que eles falam) e as ruas lotadas e agitadas do Bairro Alto.
Eu sou mais dos bares e restaurantes, e já indiquei os meus preferidos aqui, mas acho que nenhum visitante pode sair de Lisboa sem conhecer a noite do Bairro Alto. Portanto, ainda que sua opção seja apenas por um jantar, ao menos por um dia escolha um restaurante no Bairro e aproveite para dar uma voltinha pelas ruas após o jantar. É um verdadeiro carnaval de rua, que acontece diariamente, onde milhares de jovens do mundo todo bebem cerveja de 1 litro no bico enquanto andam pelas ruas. Alguns preferem se esmagar em uma das dezenas de bares minúsculos que se proliferam por todo o bairro.
A animada noite do Bairro: as roupas bailam junto com os jovens boêmios
Não deixe de ir até o Miradouro São Pedro de Alcântara ver a vista noturna da cidade. Com certeza lá também estará lotado de jovens de todas as nacionalidades ávidos por diversão. Não é a sua praia? Veja e vá embora. Se gostar, fique até que te chamem para a próxima parada, uma discoteca que começará a ficar cheia apenas as 3 da manhã, porque em Lisboa todas as noites começam no Bairro.
O miradouro a noite: difícil saber quando é mais bonito


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