10 de dez de 2013

Lisboa: Dicas Práticas e Restaurantes

1 Quando ir
Já falei que Lisboa é a cara do verão. Pois é. É nessa estação que a cidade fica mais animada, mais cheia, mais alegre, mais viva. Além disso, o sol se põe as dez da noite, deixando os dias mais longos e duradouros. Isso é bom, mas também pode ser ruim, pois atrações e restaurantes estarão lotados e os hotéis bem mais caros.
Uma opção é fugir dos meses de julho e agosto e aproveitar os meses de maio, junho e setembro, quando o clima é quente, mas a cidade não está tão lotada. Junho é, aliás, uma ótima opção, pois é quando acontece a Festa dos Santos, em homenagem aos santos juninos, quando a Alfama fica toda enfeitada e muito animada, e quando se pode apreciar a deliciosa sardinha assada na brasa, servida inteira sobre um pão.
A Alfama se enfeita para a animada festa dos santos
A deliciosa sardinha assada na brasa, uma das atrações da temporada junina
O inverno definitivamente não é uma boa opção. O problema não é o frio, que é ameno na maioria dos dias, mas sim a chuva. Chove muito no inverno lisboeta e como a maioria das atrações são abertas, isso não combina nada com a cidade.
2 Hospedagem
Não gosto de dar dicas de hotéis, até porque nunca procuro por esse tipo de dica, conforme já falei aqui. Meu conselho é: vá ao booking.com e procure pelo melhor custo benefício, considerando suas exigências quanto a conforto, localização e preço.
Em Lisboa, a melhor localização para um turista se hospedar é na Baixa. Além disso, são bem localizados hotéis no Bairro Alto, na Avenida Liberdade e na Praça Marquês de Pombal, nessa ordem. Fora desses pontos não acho legal, por um motivo simples: nesses locais, você estará no coração da cidade, com todo tipo de transporte disponível e com a possibilidade de fazer muita coisa a pé, o que eu adoro quanto estou viajando.
De toda forma, taxi em Portugal é muito barato, portanto caso você opte por ficar em um lugar mais afastado, poderá abusar do carro para ir aos principais pontos de interesse.
3 Transporte
Como dito há pouco, o táxi é muito barato em Lisboa.
Mas é claro que você também não deixará de andar de elétrico, os bondinhos mais charmosos e famosos da Europa.
Ônibus (ops, autocarros) também são uma opção muito fácil, principalmente para nós, que falamos português. Os pontos são bem sinalizados, com informações completas sobre as linhas e suas paradas. Alguns autocarros que fazem trajetos mais turísticos são equipados com sinalização por voz, que avisa o nome de cada parada, tornando quase impossível que você desça no lugar errado. O pagamento é feito em dinheiro para o próprio motorista, ou você pode comprar um cartão nas máquinas do metro, que podem ser carregados com valores fixos abatidos a cada viagem. Os tickets valem para o metro, autocarros e elétricos.
Lisboa também conta com um bom, porém limitado, serviço de metro (atenção, por lá fala-se “métro” e não “metrô”). São quatro linhas, que cobrem boa parte das atrações turísticas, exceto Belém. Recentemente o metro chegou ao aeroporto, tornando-se uma ótima opção para a chegada/partida da cidade. A desvantagem do metro é sempre a mesma: você não vê a cidade enquanto transita. Mas em Lisboa ele não é tão essencial assim.
Para chegar e sair do aeroporto opções não faltam. Um taxi até a Baixa custará cerca de 12 euros, além disso há metro e autocarros fáceis para todas as regiões hoteleiras.
Informações sobre todos os transportes públicos você encontra aqui e aqui.
4 Bares e Restaurantes
Também não sou de dar dicas de bares e restaurantes. Isso porque, como no caso dos hotéis, nunca vou atrás desse tipo de informação. A questão é que nunca me programo para comer. Prefiro sair andando e parar num lugar que me pareça simpático quando a fome aparecer. É claro que as vezes eu perco com isso. Mas muitas vezes também me dou muito bem. Adoro lugares não turísticos, frequentados por locais, onde se pode comer uma comida realmente autêntica.
Mas em Lisboa é diferente, afinal, morei lá, e portanto tive a chance de experimentar muita coisa e eleger alguns lugares favoritos.
Então, aí vão minhas dicas, em ordem completamente aleatória:
- Chapitô: o Chapitô é uma escola de teatro próxima ao Castelo, que conta com um bar e um restaurante. A comida não é nada demais, mas o lugar é lindo e super agradável e a vista é incrível. Isso faz com que o Chapitô seja um dos meus lugares preferidos para sair em Lisboa. Ambiente nota 10!
 - Pavilhão Chinês: esse bar fica no Bairro Alto e possui um ambiente sensacional. O dono é colecionador de miudezas e todas elas ficam expostas em prateleiras que circulam todas as paredes dos diversos salões do bar. Nos fundos, uma sala com mesas de sinucas onde o clima é ainda mais descontraído.
O ambiente descontraído do Pavilhão Chinês
 - Taberna Ideal: meu restaurante preferido em Lisboa. Vive lotado, frequentado apenas por locais. Só é possível sentar com reserva. A comida é deliciosa, uma mistura de pratos típicos portugueses com toques inusitados contemporâneos e internacionais. O preço não é dos mais baratos, mas recomendo muito. O restaurante fica em Santos, o bairro mais boêmio de Lisboa, porém pouco frequentado por turistas. 
- Petiscaria Ideal: é a versão bar do Taberna Ideal. Fica do lado do restaurante e muita gente que não consegue entrar lá, acaba sentando por aqui mesmo. É meu bar preferido em Lisboa, porque tem a melhor comida e uma bebida inusitada, porém deliciosa, a sangria de maçã verde. As mesas são comunitárias e o lugar, que é pequeno, vive lotado, sempre com fila na porta.
- Tasca da Esquina: empreendimento mais recente do famoso Chefe português Vitor Sobral, funciona mais num modelo bar que restaurante, com muitas opções de petiscos e porções partilhadas, tudo delicioso.
- Darwin: além da comida gostosa, o ambiente é maravilhoso: super moderno, com referências constantes ao cientista. Fica em Belém, na beira do Tejo (ou talvez ali já seja o Atlântico). Perfeito para o almoço, após uma manhã visitando as atrações da região.

Na decoração, tudo faz referência a Darwin
Atum gratinado em cama de cogumelos: delicioso.
- Farta Brutus: o restaurante fica no meio do buchicho do Bairro Alto e sua maior atração é o dono do local, um velhinho barrigudo e hilário, que no final da noite com certeza sentará na sua mesa para contar histórias. Algumas vezes ele pode até abandonar o restaurante para acompanhar seus clientes pela noite do Bairro Alto. O arroz de pato é maravilhoso.
Arroz de Pato do Farta Brutos
- Solar dos Presuntos -  muito famoso, esse restaurante faz parte do roteiro de todo mundo que vai para Lisboa. O atendimento é ótimo, a comida é ok e o preço salgadinho. Eu particularmente prefiro outros, mas como todo mundo quer conhecer, não custa conferir. Fica na Baixa, próximo ao Rossio.
- Salgadeiras – também no Bairro Alto, é pequeno, mas muito aconchegante. A apresentação dos pratos é maravilhosa e o sabor mais incrível ainda. Também na lista dos favoritos.
O linguado com camarões, da Salgadeira
E o trio de bacalhau, melhor prato da casa. A apresentação é sensacional.
- João do Grão – Restaurante super tradicional para comer bacalhau na Baixa. Apesar de turístico demais, é muito bom.
- Príncipe Calhariz – Fica no Bairro Alto e é ótimo para comer um excelente bacalhau no almoço. É frequentado exclusivamente por locais, o que faz com que a experiência de comer lá seja mais interessante que um simples almoço. O bacalhau, além de maravilhoso, é muito barato e servido em porções MUITO generosas.
- Casa do bacalhau: O ambiente do restaurante não é dos mais gostosos, mas foi aqui que comi o melhor bacalhau da minha vida: cozido, com folhas de couve. De entrada, um camarão tigre do qual também nunca me esqueci... (já estou ficando com água na boca).
 - Eleven: A comida do Eleven é maravilhosa, leva ingredientes inusitados e deferenciados e o seu chefw é premiadíssimo. Mas como se isso não bastasse, ele fica no topo do Parque Eduardo VII, com a vista mais incrível de Lisboa. Do salão de vidro é possível ver a Praça Marquês de Pombal, a Avenida Liberdade, o Castelo e o Tejo. Ambiente nota 10!

A vista diurna do topo do Parque Eduardo VII
E no restaurante Eleven, a noite.
 - Merendeira: ótimo para comer caldo verde e pão com chouriço feito na hora...uhn...tudo delicioso, baratinho e ainda fica aberto na madrugada.
 - Confeitaria Nacional: sua localização estratégica, na Baixa, vai fazer você entrar lá e babar nos doces portugueses expostos no balcão. Mas os doces aqui não têm nada demais, ou melhor, são perfeitos como todo doce português, que você encontra nas milhares de pastelarias espalhas pela cidade.
- Sorveteria Santini: essa sorveteria fica no Chiado e vive lotada, com filas quilométricas, até mesmo no inverno. Eu particularmente não entendo toda a euforia em torno da Santini, mas o sorvete (ops, gelado) é gostoso e tradicional, então, tem que experimentar. O de doce de ovo com pinhão é realmente excepcional, o único que me tira do sério!
 - A Brasileira: o Café mais famoso de Portugal. Fica no Chiado e fez sua fama por ser frequentado por diversos intelectuais, entre eles o mais ilustre de todos: Fernando Pessoa. Qualquer turista que vai a Lisboa senta ali, nem se que seja apenas para tirar uma foto com a famosa estátua do escritor. Mas tirando isso e a decoração belíssima de seu interior, o lugar não tem nada demais. Bom mesmo apenas para um café, uma água, ou uma parada estratégica para observar o vai e vem do Chiado ou, quem sabe, para se deliciar com uma poesia de quem fez a fama do lugar.
 - Tasca do Chico: Esse buteco é sensacional!!! É exatamente isso, um buteco. Pequeno, com pouquíssimas opções de comida e sempre super lotado. Fica gente em pé, amontoada nas mesas e encostadas nas paredes e janelas (inclusive assistindo pelo lado de fora), tudo para ver o fado vadio mais autêntico de Lisboa (só pelo nome, esse fado já vale a pena). É o máximo ver os velhinhos botando pra fora aquele vozeirão. E o melhor: o fado vadio é bem menos melancólico que o tradicional e isso deixa a noite muito animada. Mas atenção, o fado só acontece às segundas e quartas. Nos demais dias, o lugar não tem muita graça.
O fado vadio da Tasca do Chico
E um dos únicos tira-gostos do local, o choriço assado na hora sobre a mesa
Além desses, preciso citar outros três restaurantes famosos em Lisboa: o Bica do Sapato e os tradicionais Gambrinus, próximo ao Rossio, e Cervejaria Trindade, no Bairro Alto. No primeiro não fui, mas já tive boas recomendações. No segundo tomei apenas um drink, embora tenha ficado tentada a voltar só pelo ambiente excêntrico. No terceiro, apenas entrei para conhecer e o lugar é lindíssimo.
Por fim, preciso dizer que em Lisboa come-se muito bem. Portanto, não tenham medo de arriscar e entrar em qualquer tasquinha para comer. Essas são as melhores e sempre surpreendem.
5 Compras
Fazer compras em Portugal pode ser um atrativo, pois os valores são infinitamente mais baratos que no Brasil e no resto da Europa. Apesar de que, com o euro nas alturas, muita coisa pode ter deixado de valer a pena. De toda forma, seguem as dicas.
Considero a Baixa e o Chiado os melhores locais para compras. Isso porque são lojas de rua, em que, além de comprar, você também caminha e assiste ao movimento da cidade. Na Rua Augusta, na Baixa, e em suas transversais e paralelas, você irá encontrar praticamente todas as lojas de grandes marcas internacionais, como H&M, Zara, Berska, Mango, Benetton, Stradivarius etc. Ainda bem perto, no Chiado, algumas lojas bem populares, como Nike, Apple, Swarovski, Blanco, Levis entre muitas outras. Além disso, existe uma galeria que pode ser acessada tanto pela Baixa quanto pelo Chiado, com várias outras lojas interessantes, como a Sport Zone, para artigos esportivos, e a Fnac, para eletrônicos.
Para marcas de luxo, como Louis Vuitton, Prada, Dolce & Gabbana, TOD’s, Gucci, Burberry, Pronovias etc, a dica é a Avenida da Liberdade, considerada a décima mais luxuosa do mundo, que além de conter as lojas mais chiques da cidade é super agradável para caminhar.
Se você gosta de encontrar tudo em um mesmo lugar, o seu paraíso de compras é a espanhola El Corte Inglês. São muitos andares com oferta de todo tipo de artigos que você imaginar, incluindo maquiagem, perfume, eletrônicos, brinquedos, roupas e até um supermercado gourmet, com marcas consagradas, incluindo um estande da Fauchon (confesso que eu enlouquecia nesse supermercado).
Lisboa conta ainda com diversos centros comerciais (nossos shoppings), como o Vasco da Gama (que combina bem com um passeio ao Parque das Nações), o Amoreiras, o Colombo, o Dolce Vitta, entre outros, todos um pouco fora de mão para turistas.
Por fim, para quem quer passar um dia inteiro por conta das compras, existe nos arredores da cidade um outlet, o Freeport. O lugar é até agradável, naquele estilo shopping aberto, e conta com diversas marcas famosas, praça de alimentação e preços realmente mais baixos que os da cidade, porém com itens de coleções passadas. Fui uma única vez e achei médio. Se você não tem muito tempo na cidade, acho realmente uma bobagem, mas se o objetivo é apenas comprar, pode ser interessante.

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