27 de dez de 2013

Havana, 30 de novembro de 2013

Hoje temos no blog um novo colaborador, apaixonado por viagens, assim como nós.
O Bruno Pompermayer foi para Havana no início do mês e, como não podia deixar de ser, voltou tão apaixonado pela ilha caribenha que resolveu escrever esse relato recheado de impressões e dicas deliciosas sobre um dos países queridinhos do Depois da Próxima Viagem.
Ler esse post é quase como revisitar Cuba. Bom para matar a saudade ou para morrer de vontade de ir conhecer.

"Havana, 30 de novembro de 2013,

Mesmo morrendo de sono, não consigo aliviar esta agitação nem um segundo. Ao invés de relaxar para sair a noite, estou aqui escrevendo para nunca mais esquecer o que vivi neste dia. Pode ser uma forma de eternizar certos detalhes.
O voo foi muito cansativo. O que o torna mais esgotante é ter que chegar a Confins meia noite e meia e decolar pontualmente as 02:33 hrs da madrugada.
O avião da Copa Airlines não é dos piores, mas em comum com todos, tem a cadeira que deita pouco, impossibilitando qualquer “pescada” durante toda viagem. Culpa da cadeira e da ansiedade!
Depois das infinitas seis horas e meia de voo, chegamos à Cidade do Panamá aterrissando como uma pena, pra sorte de quem odeia pousos com emoção, como eu.  Esperamos um pouquinho e voamos mais intermináveis 2:45 hrs até Havana.
O avião se aproximava da ilha de Fidel e da janela já podíamos observar o celeste azul do Mar do Caribe, realçando cada vez mais sua transparência ao se aproximar da costa. Lindo! Mais cinco minutos atravessamos do lado sul ao lado norte da ilha, onde Havana nos recebia cinza e chuvosa. Outra aterrissagem tranquila para o desembarque mais insólito que eu e meus dois companheiros de viagem já vivemos.
No próprio corredor do desembarque, já senti a umidade e o clima fresco do outono caribenho e a precária estrutura de meio de informação aos turistas. “Precisa preencher este formulário e entregar na imigração”... Logo à frente: “Não precisa preencher nada!”... Logo depois: “precisa sim”.
Passada a imigração, a história se inicia. Cuba nos recebe com um cálido sorriso e um tapa na cara ao mesmo tempo. Pessoas se amontoavam no inicio da esteira de bagagem gritando pelas suas malas. Aproximamos e vimos que algumas estavam estocadas no chão, e outras chegando carregadas não por um carro, mas por uma lesma. Havia três funcionários que cruzavam os braços e batiam papo enquanto o estoque de malas só aumentava no chão. Uma vez ou outra, pegavam uma mala aleatoriamente e a despejavam no meio do saguão. Quase uma hora depois de muita espera, nós, os próprios turistas, botamos a mão na massa e começamos a colocar as malas na esteira. Eu mesmo coloquei umas dez! Me senti  como um cubano trabalhando com muita garra para o estado, com muita dedicação para achar logo nossas malas e desbravar Havana. Conseguimos mais de 1:30 hrs depois! Foi divertido, cansativo, inesperado e surreal.
No caminho do aeroporto para Habana Vieja chovia o bastante para inundar ruas e fazer correntezas como rios.

Por algum instante tive a impressão que seria o fim logo no começo, mas quebrei esse impacto com os dizeres do motorista: “vocês estão chegando numa ilha caribenha. Com a mesma rapidez e força que a chuva vem, o sol aparece minutos depois.” Sabias palavras do motorista, dito e feito!
Ainda que decadentes, os edifícios de Habana Vieja me impressionavam com sua imponência e exuberância. Nesse momento tive certeza que este início chocante valeu a pena. E ainda estamos no inicio!
O que vivemos hoje não desencoraja a explorar esse país. Do contrario, incitou meu espírito aventureiro a desbravar essa ilha com esse sistema bem distinto do que já conheço. Não quero defender nem criticar o regime e não quero falar de política, vim para observar, vivenciar, aprender e me divertir. Venham a Cuba, quebrem paradigmas e venham com a cabeça aberta!

Expedição à Ilha dos Irmãos Castro
Cuba chama minha atenção desde garoto.  Naquela época eu sempre pensava em seu mar, nos carros antigos e no colorido das ruas e das pessoas, mas recentemente veio o interesse pela história política. Antes de viajar andei lendo sobre o sistema, quando pude me aprofundar um pouco mais e certificar que pretendo manter minhas opiniões no centro, sem tender para direita ou para a esquerda.  Abstenho-me de defender ou criticar, principalmente depois de ver tudo de perto.
Conheci pessoalmente e perdidamente me apaixonei pela bela Havana! O outono nos proporcionou um clima perfeito para bater perna pela cidade com uma média de 25° durante o dia. Falando em bater perna, andar pelas ruas da Habana Vieja é o que tem de melhor na cidade.
São becos formados por cortiços literalmente caindo aos pedaços, mas que não escondem o charme cinematográfico. Podemos achar nestes cortiços charmosos e deliciosos Paladares (restaurantes privados) com pratos típicos da cozinha crioula e frutos do mar – o que mais gosto, e com ótimos preços. O tempero crioulo nos marcou tanto que o apelidamos de “o gosto de cuba”. Indico os três melhores paladares: Guajirito, La Mina e Los Mercaderes. (no primeiro peçam a Mariscada e no último, o Roupa Vieja de Cordeiro!).
Havana não só me fisgou pelos pratos, mas também pelos drinks. A capital mundial do Rum não deixou seu título a desejar. Daiquiris de todos os sabores, Mojitos deliciosos e refrescantes, Pina Colada, Margueritas, a tradicional Cuba Libre e centenas de outros drinks nacionais ou de outros países caribenhos. Muito fácil ficar bêbado por lá.


A impressão é que realmente paramos no tempo, pela arquitetura e pelos charmosos e robustos Ford e Chevrolet dos anos 40 e 50 que circulam bem conservados pelas ruas. 



O passeio de conversível pela cidade é muito gostoso, imperdível! Se paga aproximadamente 30 dólares para passear por 1 hora pela cidade. O motorista pode ser um ótimo guia e uma boa oportunidade de conversar com um local.
Havana é surpreendente! Andando pelos belos becos de cortiços com comércio local de quinquilharias, frutas e comidas, por varias vezes nos deparamos com praças de tirar o fôlego. São praças com construções centenárias com características coloniais, jesuíticas e barrocas que se misturam ao colorido vibrante das construções típicas de cidades do Caribe.
Como visitantes, apesar de procurarmos diferentes experiências em Havana, “turistamos” bastante.  É muito gostoso fazer as paradas obrigatórias para turistas nesta cidade! É lógico que sentamos no balcão do La Bodeguita Del Medio, acendemos um charuto e pedimos o famoso e autentico Mojito apreciado por Hemingway. Logicamente, fomos provar as dezenas de sabores de Daiquiris no Floridita ao som de uma salsa. Hemingway sabia o bom da vida!


Falando em salsa, é o que mais se ouve em Cuba. A cidade respira salsa enquanto solta fumaça do Cohiba. A salsa pode ser ouvida em todos os bares e restaurante a qualquer hora do dia, cantada, tocada e dançada por artistas que me deixaram de queixo caído. O prazer de andar pelas ruas de Havana escutando salsa é inexplicável. Ah... salsa, somente nestes lugares acima, na balada só se ouve o REGGAETON, um ritmo que mistura salsa e hip hop, sucesso total entre os jovens da América latina.


A segurança na cidade nos deixou impressionados. Andamos por becos escuros varias vezes durante a noite, e não sentimos qualquer tipo de hostilidade. As pessoas até brincam que dos 2 milhões de habitantes em Havana, 1,5 são policiais. Entendi isso como uma referencia aos “vigilantes pró-regime” que existem desde a revolução cubana. Se tem esse tanto de policia eu não sei, mas que Havana é muito segura, isso tenho certeza!
Confesso que eu não estava preparado para ficar sete dias sem contato com o resto do mundo. Sim, foi impossível achar internet! Em cuba não existem rede sem fio, mesmo em grandes resorts. Eles usam um sistema de cartão pré-pago para acesso a internet por fibra ótica que vem da Venezuela pelo mar, e como estes cartões são racionados, estavam em falta em todos os hotéis de Havana.
O lugar mais esperado por mim ainda me surpreendeu apesar de já ter visto tantas fotos. O Malecon  - calçadão que margeia toda orla de Havana em contato com algumas pedras e/ou diretamente com o mar, sem areia. Lugar onde vi o por do sol mais lindo, onde as pessoas passeiam, namoram e bebem rum sentados no calçadão. O Espetáculo do Malecon é ver as ondas azuis quebrarem revoltas na orla molhando as pessoas e os carros na avenida, com os prédios decadentes como num cenário de guerra emoldurando aquela orla. Chegar ao início do Malecon e me deparar com este cenário, me fez suspirar e reconhecer que Havana não é apenas exótica, mas também uma cidade linda. Estes suspiros frequentes em viagens garantem a certeza que cada centavo e tempo investido para estar ali valeram muito a pena. Posso dizer que sou plenamente feliz nestes momentos.


Reforço novamente: Vá a Cuba, quebrem paradigmas e vá com a cabeça aberta! Alguns perrengues, que também nem são tão graves, são pagos pelo prazer de estar nesta cidade que impressiona por cada gueto, cada praça, pelo mar azul turquesa e toda sua elegância degradada.  Vá enquanto tudo isso ainda existe, pois toda essa exuberância além do incomum não vai durar muito tempo. Pode ser uma pena, ou não!
Ps. Aproveitamos e passamos 3 dias em Varadero, uma península que fica há 2 horas de Havana. Lá vi o mar mais lindo de toda minha vida. Faixas de tons de azul de arder os olhos de tão claro. Vale muito a pena!"



Bruno Pompermayer

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