O Peru é demais! E é logo ali.

As belezas do país vão muito além de Machu Picchu e incluem praias, montanhas, floresta amazônica e desertos de tirar o fôlego.

La Hermosa Habana

Corra para Cuba! Ainda é possível experimentar um pouquinho do regime dos irmãos Castro e, de quebra, apreciar a boemia de Havana.

Marrocos

Ame-o ou odeie-o.

Islândia

Isolamento, natureza exuberante e clima inóspito, no extremo do planeta.

Portugal, pequeno e encantador.

Uma viagem pela história, paisagens, cultura e sabores de nossos parentes europeus.

27 de dez. de 2013

Havana, 30 de novembro de 2013

Hoje temos no blog um novo colaborador, apaixonado por viagens, assim como nós.
O Bruno Pompermayer foi para Havana no início do mês e, como não podia deixar de ser, voltou tão apaixonado pela ilha caribenha que resolveu escrever esse relato recheado de impressões e dicas deliciosas sobre um dos países queridinhos do Depois da Próxima Viagem.
Ler esse post é quase como revisitar Cuba. Bom para matar a saudade ou para morrer de vontade de ir conhecer.

"Havana, 30 de novembro de 2013,

Mesmo morrendo de sono, não consigo aliviar esta agitação nem um segundo. Ao invés de relaxar para sair a noite, estou aqui escrevendo para nunca mais esquecer o que vivi neste dia. Pode ser uma forma de eternizar certos detalhes.
O voo foi muito cansativo. O que o torna mais esgotante é ter que chegar a Confins meia noite e meia e decolar pontualmente as 02:33 hrs da madrugada.
O avião da Copa Airlines não é dos piores, mas em comum com todos, tem a cadeira que deita pouco, impossibilitando qualquer “pescada” durante toda viagem. Culpa da cadeira e da ansiedade!
Depois das infinitas seis horas e meia de voo, chegamos à Cidade do Panamá aterrissando como uma pena, pra sorte de quem odeia pousos com emoção, como eu.  Esperamos um pouquinho e voamos mais intermináveis 2:45 hrs até Havana.
O avião se aproximava da ilha de Fidel e da janela já podíamos observar o celeste azul do Mar do Caribe, realçando cada vez mais sua transparência ao se aproximar da costa. Lindo! Mais cinco minutos atravessamos do lado sul ao lado norte da ilha, onde Havana nos recebia cinza e chuvosa. Outra aterrissagem tranquila para o desembarque mais insólito que eu e meus dois companheiros de viagem já vivemos.
No próprio corredor do desembarque, já senti a umidade e o clima fresco do outono caribenho e a precária estrutura de meio de informação aos turistas. “Precisa preencher este formulário e entregar na imigração”... Logo à frente: “Não precisa preencher nada!”... Logo depois: “precisa sim”.
Passada a imigração, a história se inicia. Cuba nos recebe com um cálido sorriso e um tapa na cara ao mesmo tempo. Pessoas se amontoavam no inicio da esteira de bagagem gritando pelas suas malas. Aproximamos e vimos que algumas estavam estocadas no chão, e outras chegando carregadas não por um carro, mas por uma lesma. Havia três funcionários que cruzavam os braços e batiam papo enquanto o estoque de malas só aumentava no chão. Uma vez ou outra, pegavam uma mala aleatoriamente e a despejavam no meio do saguão. Quase uma hora depois de muita espera, nós, os próprios turistas, botamos a mão na massa e começamos a colocar as malas na esteira. Eu mesmo coloquei umas dez! Me senti  como um cubano trabalhando com muita garra para o estado, com muita dedicação para achar logo nossas malas e desbravar Havana. Conseguimos mais de 1:30 hrs depois! Foi divertido, cansativo, inesperado e surreal.
No caminho do aeroporto para Habana Vieja chovia o bastante para inundar ruas e fazer correntezas como rios.

Por algum instante tive a impressão que seria o fim logo no começo, mas quebrei esse impacto com os dizeres do motorista: “vocês estão chegando numa ilha caribenha. Com a mesma rapidez e força que a chuva vem, o sol aparece minutos depois.” Sabias palavras do motorista, dito e feito!
Ainda que decadentes, os edifícios de Habana Vieja me impressionavam com sua imponência e exuberância. Nesse momento tive certeza que este início chocante valeu a pena. E ainda estamos no inicio!
O que vivemos hoje não desencoraja a explorar esse país. Do contrario, incitou meu espírito aventureiro a desbravar essa ilha com esse sistema bem distinto do que já conheço. Não quero defender nem criticar o regime e não quero falar de política, vim para observar, vivenciar, aprender e me divertir. Venham a Cuba, quebrem paradigmas e venham com a cabeça aberta!

Expedição à Ilha dos Irmãos Castro
Cuba chama minha atenção desde garoto.  Naquela época eu sempre pensava em seu mar, nos carros antigos e no colorido das ruas e das pessoas, mas recentemente veio o interesse pela história política. Antes de viajar andei lendo sobre o sistema, quando pude me aprofundar um pouco mais e certificar que pretendo manter minhas opiniões no centro, sem tender para direita ou para a esquerda.  Abstenho-me de defender ou criticar, principalmente depois de ver tudo de perto.
Conheci pessoalmente e perdidamente me apaixonei pela bela Havana! O outono nos proporcionou um clima perfeito para bater perna pela cidade com uma média de 25° durante o dia. Falando em bater perna, andar pelas ruas da Habana Vieja é o que tem de melhor na cidade.
São becos formados por cortiços literalmente caindo aos pedaços, mas que não escondem o charme cinematográfico. Podemos achar nestes cortiços charmosos e deliciosos Paladares (restaurantes privados) com pratos típicos da cozinha crioula e frutos do mar – o que mais gosto, e com ótimos preços. O tempero crioulo nos marcou tanto que o apelidamos de “o gosto de cuba”. Indico os três melhores paladares: Guajirito, La Mina e Los Mercaderes. (no primeiro peçam a Mariscada e no último, o Roupa Vieja de Cordeiro!).
Havana não só me fisgou pelos pratos, mas também pelos drinks. A capital mundial do Rum não deixou seu título a desejar. Daiquiris de todos os sabores, Mojitos deliciosos e refrescantes, Pina Colada, Margueritas, a tradicional Cuba Libre e centenas de outros drinks nacionais ou de outros países caribenhos. Muito fácil ficar bêbado por lá.


A impressão é que realmente paramos no tempo, pela arquitetura e pelos charmosos e robustos Ford e Chevrolet dos anos 40 e 50 que circulam bem conservados pelas ruas. 



O passeio de conversível pela cidade é muito gostoso, imperdível! Se paga aproximadamente 30 dólares para passear por 1 hora pela cidade. O motorista pode ser um ótimo guia e uma boa oportunidade de conversar com um local.
Havana é surpreendente! Andando pelos belos becos de cortiços com comércio local de quinquilharias, frutas e comidas, por varias vezes nos deparamos com praças de tirar o fôlego. São praças com construções centenárias com características coloniais, jesuíticas e barrocas que se misturam ao colorido vibrante das construções típicas de cidades do Caribe.
Como visitantes, apesar de procurarmos diferentes experiências em Havana, “turistamos” bastante.  É muito gostoso fazer as paradas obrigatórias para turistas nesta cidade! É lógico que sentamos no balcão do La Bodeguita Del Medio, acendemos um charuto e pedimos o famoso e autentico Mojito apreciado por Hemingway. Logicamente, fomos provar as dezenas de sabores de Daiquiris no Floridita ao som de uma salsa. Hemingway sabia o bom da vida!


Falando em salsa, é o que mais se ouve em Cuba. A cidade respira salsa enquanto solta fumaça do Cohiba. A salsa pode ser ouvida em todos os bares e restaurante a qualquer hora do dia, cantada, tocada e dançada por artistas que me deixaram de queixo caído. O prazer de andar pelas ruas de Havana escutando salsa é inexplicável. Ah... salsa, somente nestes lugares acima, na balada só se ouve o REGGAETON, um ritmo que mistura salsa e hip hop, sucesso total entre os jovens da América latina.


A segurança na cidade nos deixou impressionados. Andamos por becos escuros varias vezes durante a noite, e não sentimos qualquer tipo de hostilidade. As pessoas até brincam que dos 2 milhões de habitantes em Havana, 1,5 são policiais. Entendi isso como uma referencia aos “vigilantes pró-regime” que existem desde a revolução cubana. Se tem esse tanto de policia eu não sei, mas que Havana é muito segura, isso tenho certeza!
Confesso que eu não estava preparado para ficar sete dias sem contato com o resto do mundo. Sim, foi impossível achar internet! Em cuba não existem rede sem fio, mesmo em grandes resorts. Eles usam um sistema de cartão pré-pago para acesso a internet por fibra ótica que vem da Venezuela pelo mar, e como estes cartões são racionados, estavam em falta em todos os hotéis de Havana.
O lugar mais esperado por mim ainda me surpreendeu apesar de já ter visto tantas fotos. O Malecon  - calçadão que margeia toda orla de Havana em contato com algumas pedras e/ou diretamente com o mar, sem areia. Lugar onde vi o por do sol mais lindo, onde as pessoas passeiam, namoram e bebem rum sentados no calçadão. O Espetáculo do Malecon é ver as ondas azuis quebrarem revoltas na orla molhando as pessoas e os carros na avenida, com os prédios decadentes como num cenário de guerra emoldurando aquela orla. Chegar ao início do Malecon e me deparar com este cenário, me fez suspirar e reconhecer que Havana não é apenas exótica, mas também uma cidade linda. Estes suspiros frequentes em viagens garantem a certeza que cada centavo e tempo investido para estar ali valeram muito a pena. Posso dizer que sou plenamente feliz nestes momentos.


Reforço novamente: Vá a Cuba, quebrem paradigmas e vá com a cabeça aberta! Alguns perrengues, que também nem são tão graves, são pagos pelo prazer de estar nesta cidade que impressiona por cada gueto, cada praça, pelo mar azul turquesa e toda sua elegância degradada.  Vá enquanto tudo isso ainda existe, pois toda essa exuberância além do incomum não vai durar muito tempo. Pode ser uma pena, ou não!
Ps. Aproveitamos e passamos 3 dias em Varadero, uma península que fica há 2 horas de Havana. Lá vi o mar mais lindo de toda minha vida. Faixas de tons de azul de arder os olhos de tão claro. Vale muito a pena!"



Bruno Pompermayer

23 de dez. de 2013

Países Bálticos

Um dia, viajando de Lisboa para Londres, li na revista do avião que Tallinn seria a capital europeia da cultura em 2011. A matéria de 4 páginas fez com que eu saísse do avião completamente apaixonada por Tallinn e decidida a conhecer aquela cidade da qual nunca havia ouvido falar.
Impossível não se apaixonar pelas imagens da medieval Tallinn
Naquela revista fiquei sabendo que Tallinn é a capital da Estônia, que junto com a Letônia e a Lituânia, forma o conjunto de países banhados pelo mar báltico. Os países bálticos fizeram parte da cortina de ferro da antiga URSS, razão pela qual fui obrigada a decorar seus nomes nas aulas de geografia do segundo grau. Não sei porque, mas esse trio de países com nomes combinantes nunca saiu da minha cabeça.
Coincidentemente e por puro acaso, dois anos antes havia ganhado de um colega de trabalho o caderno de turismo da Folha de São Paulo, que trazia uma matéria belíssima sobre a Lituânia. Ele me entregou o jornal e disse: para você, que ama conhecer lugares diferentes. Fiquei tão encantada com a reportagem que guardei o jornal, embora não imaginasse que algum dia fosse de fato conhecer aquele país.
Juntando tudo isso, veio a ideia de uma viagem pelos países bálticos. E para convencer meu pai de ir comigo, combinei os 3 países com uma semana na Rússia, um antigo sonho dele.
O resultado foi uma das melhores e mais surpreendentes viagens que fiz na vida!
Tinha certeza que iria encontrar muita coisa interessante por lá, mas nunca passou pela minha cabeça o que realmente me esperava. Os países bálticos oferecem inúmeras atrações para viajantes loucos por novidades. As cidades são extremamente limpas e organizadas, a arquitetura é única e a influência russa marcante. As capitais são belíssimas e o interior está recheado de castelos e igrejas inesquecíveis. 
O Castelo de Trakai, próximo a Vilnius...
...e o Castelo de Turaida, na Letônia
Além disso, o interior dos países é pacato e pouco urbanizado, sendo que o inglês é algo que ainda não chegou lá, o que com certeza irá garantir algumas boas histórias para contar. Eu e meu pai, por exemplo, passamos mais ou menos 40 minutos em um posto de gasolina na entrada de Riga para Tallinn, entre mímicas e tentativas de encontrar alguém que falasse inglês, para descobrir qual bomba era a da gasolina e qual era a do diesel.
Nosso roteiro incluiu uma road trip partindo de Vilnius, capital da Lituânia, passando pelo interior do país até Riga, capital da Letônia. De Riga, seguimos para o norte, por entre inúmeros castelos medievais rumo à Estônia e sua capital que mais parece uma vila de brinquedo. De quebra ainda pegamos um ferry para um day trip em Helsink, capital da Finlândia. O que vimos ao longo da estrada foram três países minúsculos e muito próximos, mas completamente diferentes um do outro. Em cada um, um encanto. Em todos, muitas surpresas. E para completar tudo isso, a viagem foi feita sob as árvores coloridas do outono, que tingiam de amarelo, laranja e vermelho a belíssima estrada de que corta os Países Bálticos de Vilnius a Tallinn.
O outono marcante do leste europeu
É claro que cada país vai ter um post só dele, mas resumindo, a Lituânia se destaca pela calmaria e pelo catolicismo marcante. A Letônia, pelos castelos medievais e pela arquitetura única de Riga, a mais cosmopolita das capitais bálticas. A Estônia, por sua vez, se destaca pela beleza irretocável de Tallinn. Em comum, bonecas matrioskas, catedrais ortodoxas russas grandiosas e imponentes, povo simpático e educado, quilômetros de natureza intocada e a sensação de estar desbravando um lugar realmente novo que, apesar da forte influência europeia, ainda preserva traços e consequências de sua história recente.
As ruas lindas, limpas de calmas da capital lituana...
... a arquitetura única de Riga...
...e o agito da capital mais cosmopolita dos Bálticos.
O portão de entrada da cidade de medieval de Tallin dá uma amostra do que encontraremos por lá.
Uma viagem para atestar que a Europa Oriental é um verdadeiro tesouro, ainda pouco conhecido entre os viajantes brasileiros.









18 de dez. de 2013

Três dias em Lisboa

Como disse aqui, muita gente me pede dicas do que fazer em Lisboa e a grande maioria não tem muito tempo para desbravar a cidade.
Por isso montei esse roteiro com o que eu mais gosto na capital portuguesa e com aquilo que considero essencial para quem visita a cidade pela primeira vez. É claro que não está tudo aqui, mas fiz uma seleção do que acredito ser imperdível. Quem tem menos tempo, vai ter que voltar, quem tem mais, pode fazer tudo com calma, aproveitando ainda mais as andanças pelas charmosas ruas da cidade e as paradas nos deliciosos restaurantes lisboetas. Nesse caso, aconselho que as refeições sejam regadas a vinho... muito vinho!
Ps: não vou dar dicas de museus, pois não sou fã e quase não vou (já falei isso antes). Para hospedagem, transporte e restaurantes, clique aqui.
Ps2: A ordem dos dias pouco interessa, sendo que diversos fatores podem ser determinantes na sua escolha sobre o que fazer em cada dia. Por exemplo, aos domingos, até as 14 horas, diversas atrações têm entrada gratuita, sendo um bom dia para visitar Belém (porém coloque na conta as filas quilométricas). Por outro lado, visitar a Baixa no domingo é uma grande furada, mesmo no verão, pois o movimento diminui consideravelmente. O clima também é determinante. Se estiver chovendo, por exemplo, não é uma boa visitar Belém. E por aí vai....
Ps3: Sobre a noite de Lisboa, dicas no fim do post.
Dia 1
Belém
Comece o seu passeio por Belém, onde estão a maioria das atrações que você espera conhecer em Lisboa.
1 – Pastéis de Belém
Como sou gulosa e viciada em um docinho, sugiro ir direto para a pastelaria mais famosa de Lisboa, comer o doce mais famoso de Portugal: o pastel de Belém. O pastel de Belém de verdade só se come aqui. Em qualquer outro lugar, o doce de massa folheada recheada com creme de natas se chamará simplesmente pastel de nata. Esse doce é muito comum em Portugal e é encontrado a qualquer hora do dia, em qualquer pastelaria da cidade. Mas como somos turistas, não queremos qualquer pastel, queremos apenas o de Belém, produzido pela antiga confeitaria de Belém, fundada em 1837, situada na rua de... Belém! Mas não se preocupe em encontrá-la, a fila na porta não deixará dúvidas que você chegou no lugar certo. Para comer a iguaria, são duas as opções: enfrentar a fila, comprar os pastéis para viagem e comer em pé mesmo, ou conseguir uma das disputadas mesas do interior da loja. Claro que essa é a melhor opção, em que você pode comer o doce acompanhado de um bom expresso. O diferencial do Pastel de Belém é que ele está sempre quentinho e fresquinho, pois com o movimento do lugar as fornadas são produzidas a todo vapor.
2 – Mosteiro dos Jerônimos
Satisfeito com o pastelzinho, siga em frente por alguns metros e lá estará ele, o Mosteiro dos Jerônimos. O prédio é belíssimo e grandioso e os detalhes da arquitetura impressionam. Esse é um dos poucos prédios realmente antigos que existem em Lisboa, pois conseguiu resistir quase intacto ao grande terremoto de 1755. Na igreja que fica na entrada do Mosteiro estão enterrados alguns portugueses ilustres, como Vasco da Gama, Camões e Fernando Pessoa. A entrada é livre. Para visitar a parte interna do mosteiro será necessário pagar (existe a possibilidade de combinar o ticket com o de outras atrações). Eu recomendo a entrada. Menos pelo museu e mais pela beleza do pátio interno. O prédio é realmente maravilhoso.
Detalhe da arquitetura do Mosteiro dos Jerônimos
E o belíssimo pátio interno
3 – Padrão dos Descobrimentos
Atravesse o parque em frente ao Mosteiro e você chegará ao Padrão dos Descobrimentos, o grande monumento em formato de caravela, construído em homenagem às descobertas portuguesas. O monumento é lindo e sua posição de frente para o Tejo, com a ponte 25 de abril ao fundo, forma um cenário perfeito. A impressão é que a caravela está de fato saindo para o mar. Na frente do monumento, no chão, um enorme mapa destaca as rotas e conquistas portuguesas. Dentro do prédio existem algumas salas de exposição, mas confesso que nunca entrei para conferir.
Rumo ao desconhecido e ao Brasil
O detalhe dos descobridores
4 – Torre de Belém
Saindo do Padrão dos Descobrimentos, siga rumo ao leste pela beira do Tejo até a Torre de Belém. Dessa vez a caminhada é um pouco maior, mas bem agradável. A Torre não é grande, como você já deve ter ouvido falar, mas é linda e fica em um cenário também belíssimo. Existe a possibilidade de entrar na Torre, mas eu sinceramente não recomendo. Não há nada de interesse para se ver por lá.
A torre por fora...
...por dentro...
... e incluída no lindo cenário do Tejo
De Belém, siga para a Baixa. Você pode ir de taxi ou de uma combinação de elétrico + metro.
Baixa/Chiado
Dê uma volta pela Baixa, incluindo a Rua Augusta, suas paralelas e perpendiculares. O local é cheio de restaurantes, pastelarias e lojas das mais conhecidas marcas internacionais. Passe pelo Elevador de Santa Justa, mas evite a fila para subir. Ele te levaria até o Chiado, mas posso garantir que ir a pé é muito mais gostoso. Suba pela Rua do Carmo até a famosa sorveteria Santini. De lá, pegue a Rua Garrett, uma das mais badaladas do bairro. À direita, fica o Convento do Carmo e um pouco mais acima o famoso Café A Brasileira, com a estátua de Fernando Pessoa sendo disputada pelos turistas ávidos por uma foto clássica. Se ainda tiver pique, continue subindo no sentido do Bairro Alto, para dar uma volta por suas ruelas durante o dia. O Bairro, como é chamado pelos lisboetas, está cheio de lojas de design super modernas e interessantes e está também cheio de miradouros com vistas de tirar o fôlego. Meu preferido é o de São Pedro de Alcântara, com vista para o castelo e a Alfama. Mas não deixe de ser perder pelas ruelas do Bairro em busca de outros ângulos perfeitos.
A Rua Augusta, com a Praça do Comércio ao fundo
A vista estonteante do Miradouro São Pedro de Alcântara
Dia 2
Avenida Liberdade e Marquês de Pombal
Comece o dia na Praça do Rossio, ótima para um café e para apreciar o movimento da cidade. Não deixe de olhar para cima para ver o Castelo, pois o início da praça é de onde se tem o seu melhor ângulo. 
Fonte na Praça do Rossio
Siga no sentido da belíssima Estação Restauradores e de lá continue a caminhada pela luxuosa Avenida Liberdade até a Praça Marquês de Pombal. Continue subindo pelo Parque Eduardo VII até o topo, de onde você será brindado com mais uma vista incrível de Lisboa. De lá é possível avistar a Praça Marquês de Pombal, toda a extensão da arborizada Avenida Liberdade, o castelo, a Baixa, a Alfama e o Tejo. É como se você tivesse Lisboa inteira diante de seus olhos. 
Mais uma linda vista de Lisboa, no alto do Parque Eduardo VII
De lá, volte para a Baixa e siga pela Rua Augusta até a Praça do Comércio. Dê uma volta pela praça e aproveite para apreciar o Tejo de perto. Próximo dali fica o ponto do charmoso Elétrico 28. Pegue o bondinho que te levará ao lugar mais especial de Lisboa: a Alfama.

Alfama e o Castelo de São Jorge
Desça do elétrico na parada Portas do Sol e dê de cara com a vista mais perfeita de Lisboa (se eu disser que outras são a mais perfeita, não repare, é porque é difícil escolher e ao me lembrar de cada uma fico bastante volúvel...). 
Ver os telhadinhos cor de terra da Alfama se misturando com a imensidão azul do Tejo é um alento para os olhos e para a Alma. De lá, siga a pé para o Castelo de São Jorge. 
Não deixe de entrar no Castelo, o espaço é super agradável para caminhar. Além disso, é claro, você terá direito a mais algumas vistas de tirar o fôlego. Não deixe de andar pelas muralhas e de visitar o Periscópio, na Torre de Ulisses. O periscópio, sistema óptico de lentes e espelhos inventado por Leonardo Da Vinci no século XVI, permite examinar minuciosamente a cidade em tempo real. É sensacional!
Área interna do Castelo
E a bela vista da Baixa
Quando terminar a visita, tome o caminho de volta para a Baixa, mas dessa vez vá a pé, se perdendo pelas ruas labirínticas e escadinhas da Alfama, sob a sombra das roupas que secam nos varais do bairro.
O charme de um restaurante na Alfama
E suas inconfundíveis escadinhas

Dia 3
Parque das Nações
Reserve a maior parte desse dia para visitar o Parque das Nações, bairro revitalizado para a realização da Expo 98.
A melhor opção para chegar até lá é de metro. Na linha vermelha, desça na estação Oriente. O bairro é novo e moderno e acabou se transformando em um centro de atividades culturais e esportivas. Entre suas atrações encontra-se o famoso teleférico que liga uma ponta do parque à outra e o Oceanário de Lisboa, um dos maiores aquários do mundo, onde é possível apreciar espécies marinhas de todos os oceanos (minha sessão favorita é a do Oceano Índico, com seus peixes ultra-coloridos). Para quem gosta, existe também um grande Shopping Center, o Centro Comercial Vasco da Gama, mas sem nada muito especial.
Na volta do passeio, pegue o metrô até o Cais do Sodré e aproveite para fazer uma caminhada pela pista nas margens do Tejo. O por do sol visto dali, com a ponte 25 de Abril ao fundo, é lindíssimo.
Se der tempo, antes do por do sol aproveite para conhecer o bairro residencial de Santos, famoso por sua boêmia. É a oportunidade de conhecer uma área menos turística e super autêntica da cidade.
O bonito prédio da Assembléia da República, em Santos
Mais escadinhas típicas de Lisboa
E o cotidiano comum da cidade: senhorinhas na varanda, vendo a vida passar, enquanto as roupas secam no varal
Durante a Noite
A vida noturna de Lisboa é bastante animada e existem opções para todos os gostos, incluindo restaurantes conceituados, bares, discotecas (é assim mesmo que eles falam) e as ruas lotadas e agitadas do Bairro Alto.
Eu sou mais dos bares e restaurantes, e já indiquei os meus preferidos aqui, mas acho que nenhum visitante pode sair de Lisboa sem conhecer a noite do Bairro Alto. Portanto, ainda que sua opção seja apenas por um jantar, ao menos por um dia escolha um restaurante no Bairro e aproveite para dar uma voltinha pelas ruas após o jantar. É um verdadeiro carnaval de rua, que acontece diariamente, onde milhares de jovens do mundo todo bebem cerveja de 1 litro no bico enquanto andam pelas ruas. Alguns preferem se esmagar em uma das dezenas de bares minúsculos que se proliferam por todo o bairro.
A animada noite do Bairro: as roupas bailam junto com os jovens boêmios
Não deixe de ir até o Miradouro São Pedro de Alcântara ver a vista noturna da cidade. Com certeza lá também estará lotado de jovens de todas as nacionalidades ávidos por diversão. Não é a sua praia? Veja e vá embora. Se gostar, fique até que te chamem para a próxima parada, uma discoteca que começará a ficar cheia apenas as 3 da manhã, porque em Lisboa todas as noites começam no Bairro.
O miradouro a noite: difícil saber quando é mais bonito


15 de dez. de 2013

Campos de Concentração - Visitá-los ou não?


Ontem sonhei com Wroclaw, uma cidade polonesa lindíssima que incluí por acaso na minha viagem ao país. Revisitar essa viagem me fez lembrar também de uma conversa de boteco que tive na semana passada e que agora resolvi transformar em uma postagem para o blog: vale a pena visitar os campos de concentração?
Já estive em dois campos de concentração nas minhas andanças pela Europa: Sachsenhausen, nos arredores de Berlim e Auschwitz, na Polônia.
Certa vez contei para um amigo com empolgação sobre essa experiência e a reação dele me surpreendeu bastante: não seria essa experiência desnecessária?
E aí me lembrei de uma professora de história que tive na sétima série, que iniciou o ano letivo com uma frase mais ou menos assim: a história serve para que possamos conhecer o passado, e, através dele, entender o presente e construir um futuro melhor.
E isso, na minha opinião, responde de forma definitiva às duas pergunta colocadas acima: Não é que visitar um campo de concentração valha a pena. Visitar um campo de concentração é necessário.
É pesado? Sim.
É triste? Demais.
Você vai sair de lá arrasado? Espero que sim (mas isso não será nada, perto do que sofreram as pessoas que passaram por lá).
Isso vai atrapalhar sua viagem de férias maravilhosas pela Europa? Jamais.
Visitar um campo de concentração irá enriquecer sua alma e te ensinar mais sobre a história que os doze anos letivos que você passou na escola.
E é exatamente para isso que eles estão lá, conservados e transformados em museus: para que as pessoas possam visitá-los e sentirem de forma concreta o peso dessa página tão triste da história da humanidade.
Museus como esse existem justamente para que a história não seja esquecida, por um motivo muito simples: uma história como essa não pode ser esquecida. Muito pelo contrário, ela precisar ser lembrada, reforçada e repetida, para que nunca volte a acontecer.
O que parece, entretanto, é que não temos feito bom uso da história, pois apesar do nazismo não mais existir, diversas outras formas de violência em massa contra pessoas permanecem, ainda mais próximas de nós, permanecendo também a inércia e o comodismo da humanidade.
É preciso que as pessoas se lembrem que o holocausto aconteceu há muito pouco tempo (basta pensar que meus avós assistiram a tudo) e que ainda é uma ferida aberta para muitas famílias e sobreviventes. E é preciso que essa história não se perca à medida que novas gerações se desenvolvam.
Em matéria recente publicada no site Terra, um sobrevivente dessa triste história afirma que “apesar de muito já ter se falado sobre o holocausto, nas palestras de que participa, ainda sente adolescentes distantes da real dimensão do que aconteceu. "Já me perguntaram se conheci Hitler. Em geral, as novas gerações pouco sabem sobre os genocídios que aconteceram recentemente em Camboja ou Ruanda, por que saberiam sobre a Segunda Guerra?"” (Fonte: Terra Educação).
Na mesma reportagem, uma aluna de 14 anos conta como foi o encontro com um sobrevivente de um campo de concentração: "Quando a gente lê, parece que estão inventando. A gente não consegue acreditar que aquilo fez mesmo parte da história (...) sentir o sofrimento de perto mudou seu ponto de vista sobre a história.”
Certo é que a aproximação com o fato e o sentimento que isso provoca transformam por completo nossa visão sobre a história meramente contada. E é por tudo isso que recomendo a todos uma visita a um campo de concentração.
Como diz a placa em Sefardi (língua dos judeus provenientes da região ibérica), erguida em Birkenau: Que este lugar, onde os nazistas exterminaram um milhão e meio de homens, mulheres e de crianças, a maior parte de judeus de vários países da Europa, seja para sempre para a humanidade um grito de desespero e um sinal (de advertência).

Minha experiência
Como disse, já visitei dois campos de concentração.
A primeira visita foi na minha primeira viagem para a Europa, em 2008, e foi sem dúvida a que mais me impactou. Sachsenhausen fica próximo a Berlim, a cerca de uma hora de trem do centro da cidade. Esse não era, em princípio, um campo de extermínio, embora no final do regime nazista tenha se transformado em um. Ainda assim, era difícil sair vivo do lugar, onde as pessoas morriam de doenças, desnutrição e maus tratos.
Sachsenhausen é um campo bem menos visitado que outros famosos como Dachau, próximo à Munique, e Auschwitz e, pelo menos naquele dia estava muito vazio. Praticamente só existia meu grupo e um ou outro visitante isolado, o que permitiu uma visita mais introspectiva e silenciosa. Com pouca parte da sua estrutura conservada, o lugar é um grande descampado onde se encontra um museu sobre a história do local. Fiz a visita com uma guia, o que foi fundamental, e me lembro como se fosse hoje do paredão de fuzilamento e das ruínas da câmara de gás. O que se vê, são apenas tijolos, mas andar sobre eles nos transporta de corpo e alma para a história do lugar.
Visitar Sachsenhausen foi algo muito impactante. Prova disso é que eu, que sou completamente viciada em fotografias, não tenho um único registro do local, pois não consegui tirar nenhuma foto. Vários fatores fizeram com que essa visita fosse tão intensa: era a primeira vez que ia a um campo de concentração, estava frio e nublado, o lugar estava muito vazio e a guia era excelente. Foi impossível não sair dali muito triste e reflexiva.
A segunda visita foi em Auschwitz, o maior e mais famoso campo de concentração existente. Auschwitz é na realidade um complexo de campos de concentração e de extermínio e tem sua estrutura praticamente intocada. Auschwitz é impactante por sua história e por conter os vestígios concretos de tudo que ocorreu lá. Mas infelizmente a visita não foi tão tocante quanto à anterior.
Não foi por ter sido a segunda vez, pois afirmo com convicção que não é possível se acostumar com a sensação de estar em um campo de concentração, mas porque o lugar estava extremamente cheio e era impossível me concentrar no que eu via e ouvia. As visitas são feitas em grupos enormes e os guias andam muito rápido e você é obrigado a seguir em frente sem pausa, pois logo atrás vem outro grupo enorme. Além disso as pessoas não param de conversar em voz alta, além de travar uma verdadeira guerra pela melhor fotografia do lugar. Isso atrapalha muito, pois esse é um lugar que merece muito respeito, silêncio e introspecção.
A famosa frase nazista: "o trabalho liberta" e a multidão que disputa uma fotografia do local
De toda forma, Auschwitz traz algumas provocações que tocam fundo em nossa consciência, principalmente nas salas onde se encontram os cabelos, sapatos e objetos pessoais dos presos, todos amontoados em enormes montanhas que dão a verdadeira dimensão dos números ali representados. Essa exibição também traz muitas fotos em close dos presos, o que personifica a atrocidade ocorrida ali, deixando uma sensação terrível de angústia e indignação. A pergunta que vem à mente a cada segundo é: como isso pôde ocorrer?
Em Auschwitz é possível entrar nos diversos barracões onde viviam os presos e nos prédios onde funcionavam a administração dos campos. Também é possível entrar no edifício onde funcionava a câmara de gás e avistar, durante toda a visita, o arame farpado que cerca o local, talvez o maior símbolo de tudo o que aquilo significou.









Tudo muito pesado, tudo muito triste e também totalmente indispensável. Porque viajar não é só um instrumento de lazer e diversão. Pode ser também um grande instrumento de aprendizado e vivência.