23 de nov de 2013

Paracas e Ilhas Ballestas



De Lima seguimos para Paracas, uma reserva ambiental no litoral peruano, a 270Km da capital.
O trajeto dessa vez foi feito de ônibus. Em Lima não existe uma rodoviária única, mas sim um terminal da própria companhia de ônibus, usado somente para os trajetos operados por ela. Escolhemos a Oltursa, que possui um excelente serviço. Além do ônibus confortável e bem conservado, o serviço de bordo é ótimo. Viajamos na primeira fileira em um daqueles ônibus de dois andares, o que nos permitiu apreciar a vista da estrada durante todo o trajeto.
A estrada foi construída no meio de um deserto sem fim. Exceto por algumas poucas cidadezinhas ao longo do caminho, tudo o que se vê, de um lado e de outro, é uma paisagem única, marrom, plana e árida. Como eu nunca havia estado em um deserto, achei tudo aquilo o máximo.

De repente fomos surpreendidos pelo mar, margeando o deserto à sua direita. Incrível! Estávamos presenciando o encontro do deserto com o mar: um contraste extremo e belíssimo.
Nas poucas cidades ao longo do caminho pudemos notar a enorme pobreza do interior do país. As casas são todas inacabadas, feitas de barro. As ruas são caóticas, com dezenas de tuc-tuc’s e carros sendo dirigidos sem nenhuma prudência.
Retrato típico do interior do Peru
O tempo estava nublado o tempo todo, nem um pouco diferente da paisagem nublada de Lima. Mas de uma hora pra outra o céu abriu e o dia ficou lindo!
Chegamos em Paracas, deixamos as coisas no hotel e fomos direto conhecer a Reserva.

- Reserva Nacional de Paracas

Andamos alguns minutos pelo deserto e de repente se abriu na nossa frente uma das paisagens mais bonitas que já vimos em nossas vidas: o imenso deserto marrom termina em um enorme penhasco de frente para um mar de tons azul escuro e verde, de uma cor muito viva. 
O deserto...
O mar... 
E o contraste.
O contraste das cores é lindíssimo... fica difícil saber se a paisagem é mais bonita quando olhamos pra esquerda ou pra direita, porque é tudo muito impressionante. De babar! Mesmo quando olhamos para traz, e vemos apenas aquele deserto enorme e constatamos que estamos no meio do nada, a paisagem permanece deslumbrante.

Paracas foi, desde o início, surpreendente. Uma paisagem completamente inesperada, que superou qualquer expectativa. Nenhuma foto é capaz de dar sequer uma noção da beleza deste lugar tão inusitado: o encontro do deserto com o mar é uma visão alucinante.
Dentro da reserva fomos a diversos mirantes, e não é possível identificar qual deles é o mais bonito. Ao fim, chegamos em uma praia, onde pudemos avistar o mar com o deserto ao fundo... o contraste do branco da espuma das ondas com a areia do deserto surpreendia a cada olhar.

Próximo a esta praia fica uma vila de pescadores, onde paramos para almoçar no meio dos pelicanos. Lá é possível comer peixes e frutos do mar pescados na hora. Comemos chincharrones de lula (lula a milanesa). Apesar da simplicidade do lugar, comemos muito bem.
O passeio termina em um pequeno museu dentro da reserva e em um mirador de flamingos. O museu não tem a menor graça, considerando toda a beleza que já tínhamos presenciado ao ar livre e ao vivo, e o mirador é uma grande enganação, pois, embora os flamingos estejam de fato lá, e aos montes, os turistas só podem chegar até certo ponto da ilha, ponto do qual é impossível ver qualquer coisa. O final era até dispensável, mas tudo bem, pois este lugar é simplesmente maravilhoso e imperdível.
A noite fomos a um dos poucos bares da cidade. O centro é até bastante ajeitadinho, tem um calçadão na beira do mar, com bares e restaurantes. Mas estava muito frio, o que espantou os turistas e deixou o lugar meio vazio. Paracas é a cidade onde os ricos peruanos têm casas de verão. O problema é que estávamos completamente fora da temporada.
No bar experimentamos mais um prato típico do Peru, a Jalea. Um misto de peixes e frutos do mar empanados. Delicioso.

- Hospedagem:
Hotel Mirador de Paracas – O hotel é muito simples, com quartos fracos, bem básicos, mas limpos. Foi sem dúvida o pior de toda a viagem, mas nada que atrapalhasse. Não tivemos problemas com o chuveiro e a cama era confortável. O café da manhã, embora servido individualmente na mesa, era satisfatório, com direito a ovos, pão e geléia. A área externa do hotel é que é o diferencial. Tem uma piscina enorme, churrasqueira e bar, mas, como estava frio, não teve utilidade nenhuma pra gente.

- Ilhas Ballestas


No dia seguinte acordamos com o tempo extremamente ruim... muito frio e nublado... uma pena, pois teríamos que encarar um passeio de barco com muito vento. Sem contar a visibilidade prejudicada.
Pegamos a lancha para o passeio para as Ilhas Ballestas no centro de Paracas. Logo na saída do barco, em menos de 2 minutos, já paramos para assistir aos golfinhos. Eram muitos, pulando sempre, às vezes em trios. São lindíssimos esses animais, mas pudemos vê-los muito pouco, apenas nos milésimos de segundos em que saltavam para fora da água. Mesmo assim valeu a pena. 

Logo depois paramos para observar uma ilha de pelicanos. 

Andamos alguns minutos no mar. O frio estava insuportável e o vento cortante. Isso sem contar as vezes em que a água entrava na lancha, molhando a todos. Para esse passeio é essencial estar bem agasalhado, com um corta-vento e com acessórios para cobrir nariz e orelhas.
Chegamos então ao famoso desenho do candelabro, esculpido em uma montanha. 


A visibilidade estava muito ruim, então não deu pra apreciar muito bem o desenho. De qualquer forma é impressionante imaginar que aquilo está ali há séculos. Um desenho enorme, escavado por alguém em uma pedra que mais parece uma duna de areia. Não se sabe o que significa, porque foi feito e, mais ainda, como está ali, intacto, até hoje... impressionante! Mais uma das lendas e mistérios do Peru.
Seguimos em frente, dessa vez por bastante tempo (cerca de meia hora, em alta velocidade, com aquele vento cortante - brrrrr), e chegamos a uma ilha de lobos-do-mar. 

São milhares deles! Quando os lobos avistaram a lancha muitos entraram no mar e chegaram bem perto da gente, parece até que estavam fazendo graça para os turistas. 

Eles fazem um barulho muito alto (parecem estar cantando) e têm um cheiro horrível!!! Mesmo assim são muitos fofos esses bichinhos.
Em seguida, após andar mais um pouco, chegamos finalmente às Ilhas Ballestas. 
Uma das belas formações rochosas das Ilhas Ballestas
É um conjunto de várias ilhas lotadas de pássaros. Muitos mesmo, de várias espécies, alguns voando, outros pousados nas ilhas... olhando de longe parece até que as rochas são brancas, de tantos pássaros. 


E no meio de tantos pássaros, alguns pingüins, o ponto alto da visita à ilha. Pudemos avistar vários, lindos e imponentes. 




Em uma das ilhas pudemos ver também vários leões-marinhos, bem maiores e menos barulhentos que os lobos-do-mar. 



O passeio pelas Ilhas Ballestas é imperdível, mesmo no frio. Uma oportunidade incrível de observar a fauna marinha e as beleza naturais de um lugar único no mundo.

2 comentários:

  1. Oi, você pode me informar a época que você foi. Quero ir em Março, não se se é uma época boa.
    Obrigada!!!

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    1. Oi Cláudia. A melhor época para visitar o Peru como um todo é agosto/setembro, porque não chove. Em Paracas chove pouco o ano todo, então março pode ser uma boa, até porque o clima é mais quente e você pode curtir mais a praia. Como fui no inverno estava tudo vazio e não deu pra dar nenhum mergulho. A temporada de lá é mesmo no verão. Agora, se você for pea Machu Piccho março é bem arriscado, pq ainda chove bastante ou o tempo pode estar muito nublado, o que pode atrapalhar a visita.

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