28 de nov de 2013

Os mistérios de Nazca

Nazca é uma cidade bem feia e sem graça e tirando as linhas e o Cemitério de Chauchilla, não tem mais nada de interessante para fazer.
O cemitério nada mais é que um grande terreno plano, no meio do nada. São mais ou menos 12 tumbas fundas e abertas (na realidade ainda existem outras tumbas, porém fechadas), com as múmias, em perfeito estado de conservação, lá dentro. Cada tumba é dividida em duas, e contém duas ou três múmias de adultos ou bebês dentro. 
 
E não é que são simpáticas as caveirinhas...
As pessoas eram enterradas junto com os seus pertences, em posição fetal, e enroladas em panos. E assim estão até hoje: exatamente igual a quando morreram. 



O povo Nazca acreditava que preservar o corpo e enterrá-lo em posição fetal era uma garantia de que a pessoa renasceria em outra vida.
O que se vê, nas múmias, é um pano enrolado com uma caveirinha em cima e os cabelos. É impressionante a preservação dos cabelos, considerando que essas pessoas morreram há séculos. Algumas têm cabelos enormes. Uma coisa bem esquisita de se ver.



O guia nos contou que aqui estão à mostra apenas múmias de pessoas pobres, pois no caso das ricas os ladrões saqueavam as tumbas para levar seus pertences. A visita é bem legal e extremamente válida, mas um pouquinho bizarra também. No fim tem uma sala fechada onde ficam expostas, em uma redoma de vidro, duas múmias muito bem preservadas. Essas não estão enroladas no pano, então é possível ver a conservação da pele e tudo mais. Muito interessante.
Saímos do cemitério e voltamos para Nazca para visitar uma fábrica artesanal de cerâmica. A cerâmica é uma marca cultural do povo Nazca. Na pequena fábrica (uma garagem nos fundos de uma casa), ficam expostas algumas peças originais desse povo. Lá, eles ensinam aos turistas o processo de confecção das peças, e fazem réplicas para vender. O processo é bem interessante e bastante artesanal. A parte mais bacana é a forma como eles pintam a cerâmica. Os artesãos pegam as pedras brutas de diversas cores (roxo, rosa, verde, azul, branca etc) nas montanhas. Em seguida as pedras são moídas e diluídas em água, formando a tinta. A cerâmica é pintada e depois é polida com o óleo da própria pele do artesão. Após a exibição, fomos levados para a loja. Algumas coisas são até bonitas, mas é tudo muito caro.
Entramos ainda em uma fábrica de ouro, onde os trabalhadores demonstram como era a extração artesanal do metal antigamente, feita em condições precárias por gente pobre que se arriscava nas minhas. O processo é extremamente rústico e demorado. Fica claro que é tudo muito turístico e normalmente tenho pavor desses passeios, mas como não havia absolutamente mais nada para fazer até a hora do voo para visualizar as linhas, foi válido.
Voltamos para o centro da cidade e ficamos por lá até a hora do voo. Nazca é uma cidade horrível. Extremamente pobre, feia, seca e empoeirada. Não existe nada para ver ou para fazer. Em poucos minutos demos uma volta na cidade e desistimos de tentar descobrir algo interessante.
Não almoçamos, pois ouvimos dizer que é comum enjoar no sobrevoo, e seguimos para o aeroporto.

- Sobrevoo das Linhas de Nazca
O aeroporto de Nazca é exclusivo para o sobrevoo das linhas e para voos charter vindos de Lima. Chegamos, tomamos um plasil pra prevenir, e já fomos direto embarcar. Até então tudo era farra, mas ver o tamanho do avião nos deixou um pouco assustados: era minúsculo. 



Junto com a gente ainda voaram o piloto e mais três franceses. Como coube, ninguém sabe. São 3 fileiras de 2 lugares, com uma janelinha pra cada um. Você coloca um fone para ir ouvindo as falas do piloto, recebe um saquinho de vômito com capacidade para 3 litros, e decola.
Vamos dividir a descrição desse passeio em duas partes, pois elas são completamente distintas: as linhas e o voo.
A paisagem de Nazca vista do alto é maravilhosa. E as linhas... são fantásticas! Imaginar que alguém fez aquilo há tantos anos e que continua ali, intacto, é quase inconcebível. Os desenhos são enormes, os geométricos chegam a possuir quilômetros de extensão. São também extremamente nítidos e perfeitos.
Os desenhos são escavações no solo com cerca de 30 cm de profundidade. Como quase não chove na região, eles puderam ficar preservados por tanto tempo, mas ninguém sabe ao certo porque eles foram feitos ou o que significam. Existem várias hipóteses, como a de que seriam um calendário astronômico ou pistas de pouso para disco-voador, mas esse será um mistério eterno daquele povo.
As formas geométricas, por incrível que pareça, são as que mais impressionam, pois elas são muito perfeitas. Em uma das figuras foi feita uma linha reta irretocável com mais de um quilômetro de extensão... até com uma régua seria difícil, imagina sem que se tenha sequer noção da proporção da coisa, já que, visto do solo, os desenhos não passam de dutos feito na terra (só é possível avistar as figuras olhando do alto, graças ao seus enormes tamanhos, por isso a necessidade de encarar o aviãozinho).
O triângulo
Além das figuras geométricas, a aranha, o astronauta, o pássaro, o macaco, a baleia e o condor são perfeitos. Ver ao vivo e à cores essa curiosidade da humanidade é, sem dúvida, sensacional.
O astronauta
O condor
O pássaro... atenção para o tamanho do desenho, proporcionalmente à estrada
A baleia
Os detalhes da figura da aranha...
... e do macaco.
INCRÍVEL!!!!
Só que aí entra a segunda parte do relato: o voo.
Até a decolagem estava tudo ótimo, mas logo depois já começou o nervosismo. Além do avião ser super apertado e instável, ele é quente. Muito quente! Isso não combinou com o fato de estarmos suando frio de tão nervosos. O piloto até que tentou dar uma descontraída e tudo correu relativamente bem até chegar o primeiro desenho, que fica do lado direito do avião. O problema é que o piloto mostra o desenho para os passageiros do lado direito e depois faz uma volta de 180º para mostrar o desenho para os passageiros do lado esquerdo. Vou deixar pra vocês imaginarem qual é a sensação dessa voltinha. Pensaram? É a pior possível: queda de pressão, enjôo, vista escurecida e medo foram o resultado.
Mas tudo bem, sobrevivemos... e os saquinhos de vômito nem foram utilizados!
Contudo, precisamos ser sinceros: isso acaba atrapalhando um pouco o passeio, pois em alguns momentos não conseguimos nem prestar muita atenção nos desenhos. E o pior é que o alívio não vem com o pouso. O mal estar dura pelo menos mais umas duas horas após o fim do voo.
Mas resumindo tudo: o perrengue vale a pena. Como já dissemos, em Nazca estamos diante de um dos grandes mistérios da humanidade e de uma das grandes façanhas do homem: não dá pra não ver.
Depois de nos recuperarmos do voo, no hotel, fomos para o centro almoçar. Descobrimos o restaurante El Porton, no guia, e resolvemos não arriscar outro. Que bom! A comida estava ótima!!! Foi a melhor coisa de Nazca. Parece ser o lugar mais chique da cidade, o ambiente é gostoso, rola uma musiquinha peruana ao vivo, bacana mesmo. Outro oásis na viagem. 

Ficamos um tempão ali, enrolando, e ainda voltamos a pé para o hotel (era bem longe) pra ver se passava o tempo, pois tínhamos que esperar até as dez da noite, quando sairia nosso ônibus noturno para Arequipa.
Dessa vez o transporte foi da Cruz Del Sur, também muito bom, com um excelente serviço de bordo. Aqui já começamos a notar um detalhe interessante: todos os turistas que vimos desde Paracas nos acompanharam desde então. Todo mundo faz praticamente o mesmo roteiro, da mesma forma. E foi assim até o fim da viagem, vendo sempre as mesmas pessoas, até Machu Pichu. Outro detalhe sobre os turistas: são todos europeus. Além deles, australianos e canadenses e só. Nada de japoneses e nem de brasileiros, que só começam a aparecer em Cusco.

Hospedagem:

Hotel Nido Del Condor – O hotel fica em frente ao aeroporto e é enorme. A área externa é super bacana, com piscina, jardins, sala de TV e de jogos. O quarto também é muito bom, amplo, novo, com banheiro excelente. O único problema é o restaurante. O jantar não estava lá essas coisas, e o café da manhã é fraquíssimo. Mas foi uma boa opção. Talvez o único problema seja a localização. Como o hotel é bem afastado do centro, para quem vai realmente ficar em Nazca isso pode ser um ponto negativo. Mas pra quem vai apenas fazer o voo e ir embora, isso não chega a ser um problema.

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