14 de nov de 2013

Norte do Peru: Trujillo e Chan Chan, a maior cidade de adobe do mundo

Hoje vamos começar uma série de posts sobre o roteiro de 18 dias dos viajantes pelo Peru, um dos países mais fantásticos e completos do mundo, com toda sua diversidade cultural, histórica e natural. 
Para completar, o Peru está pertinho da gente, com diversas opções de voos baratos, inclusive com milhas. Não dá pra perder a chance de visitar esse fantástico país.
Mas não se engane: as belezas do Peru vão muito além de Machu Picchu e merecem tempo e dedicação, em uma viagem de norte a sul do país.
E foi exatamente no norte que começamos nosso roteiro, na cidade de Trujillo.

Primeira parada: Trujillo
Descemos do avião e logo percebemos que estávamos em um deserto. O aeroporto é mínimo, e logo de cara já pudemos perceber a pobreza e o caos da cidade. Trânsito, muitos taxis (mais do que a própria população, numa proporção incrível, se comparada à dos demais carros), tuc-tucs e buzinas! Muita Buzina! A rua é uma sinfonia constante de sons altos e estridentes das buzinas dos taxis. Eles usam isso para chamar um pretenso passageiro (qualquer pessoa parada na rua). Como são muitos taxis... você pode imaginar, não é? Por tudo isso, ficar parado em uma esquina em Trujillo é enlouquecedor e estressante, portanto, ande!
O famoso tuc-tuc, meio de transporte muito usado no Peru
A cidade estava lotada na sexta a noite. As pessoas ficam andando de um lado para o outro nas ruas. Na Praça de Armas, principal ponto da cidade, estava sendo inaugurado um monumento muito bonito e imponente. Por isso, a praça estava lotada de gente.
A Praça de Armas é surpreendentemente linda, com casas coloridas e bem conservadas em volta, toda iluminada.
A noite os monumentos de Trujillo ficam iluminados, como esta bela igreja. A cidade é super movimentada
Uma coisa que nos impressionou foi a quantidade de casas com a bandeira do Peru estendida do lado de fora... achamos que havíamos encontrado um povo ultra-nacionalista, mas na realidade era tudo por causa do dia da independência peruana, época em que colocar bandeiras nas casas e carros é quase uma obrigação legal.
Não estava nos planos conhecer a cidade de Trujillo, devido ao pouquíssimo tempo que teríamos ali, mas o passeio a noite pela cidade foi animador...e ficou uma enorme tentação de conhecer aquela linda praça de dia.
Esquecemos o cansaço do vôo de madrugada e acordamos mais cedo para poder dar uma volta. Tivemos pouquíssimo tempo, pois nosso passeio pelos arredores de Trujillo saía às 10 da manhã.
Apesar de esta ser a terceira cidade mais importante do Peru, a impressão que se tem é que ela parou no tempo, passando a ideia de muito atraso. A arquitetura espanhola é muito presente, o que deixa o centro da cidade interessante, apesar do trânsito caótico, dos taxis e mototaxis em excesso e das buzinas...Voltamos à praça, que, apesar de mais bonita iluminada, nos surpreendeu mais uma vez pela quantidade de cores e boa conservação. 
A colorida praça de armas de Trujillo

Visitamos também o mercado da cidade, que é tão caótico quanto tudo nela. Trujillo tem várias lindas igrejas, e a cidade merecia um dia a mais de visita.

Depois do breve passeio, fomos conhecer os lugares que realmente nos levaram até Trujillo: as Hucas do Sol e da Lua e a tão esperada Chan Chan.

- Huaca Del Sol e Huaca de la Luna
Há poucos minutos do centro estava nosso primeiro passeio arqueológico no Peru (dos muitos que viriam). O Peru é famoso pelo povo inca, mas no norte o que se encontra são os rastros de civilizações pré-incas, ainda mais antigas, no caso, Moches e Chimus.
Logo que saímos da cidade nos demos conta da imensidão do deserto em que estávamos. Tudo é muito seco e árido, com pouquíssima vegetação, e muito plano.
As Huacas ficam bem próximas uma da outra, mas apenas é permitida a visitação da Huaca de la Luna. A Huaca Del Sol possui um formato de pirâmide, mas ainda está bastante coberta por terra e poderia passar desapercebida não fosse a indicação da simpática guia.
As Huacas ficam localizadas em um enorme descampado, onde vivia, há séculos, a civilização Moche. Ainda é possível avistar restos arqueológicos do que foi a cidade.
A Huaca de la Luna, ao fundo
Logo na chegada demos de cara com o perro peruano, uma raça de cachorro comum na região. É uma figura no mínimo esquisita: não tem pelos, a não ser pelo topete. Esses cães são adaptados às condições climáticas da região e por isso têm uma temperatura corporal extremamente alta, fazendo com que, no passado, fossem curiosamente usados como compressa quente pelo povo Moche. Vale a pena interagir com o bichinho, pois ele aceita tranquilamente a presença e o carinho dos turistas.

Feio mas simpático... e quentinho!
A Huaca de La Luna era um templo religioso da civilização Moche. Apesar de pouco conservada, é possível perceber a grandiosidade daquela construção, em uma época em que não existia qualquer tecnologia. O que mais chama a atenção é a decoração do lugar, cheia de pinturas coloridas. Na realidade não era apenas uma preocupação estética (embora esta também existisse), mas também uma forma de comunicação, já que não existia escrita naquela época. A visita à Huaca de la Luna é uma verdadeira aula de história, que conta o desenvolvimento da civilização Moche, passando pela sua religiosidade, sacrifícios humanos e pelo seu modo de vida.
Vale a pena!
Dentro do templo
Detalhe da decoração Moche
Após a visita às Huacas voltamos a Trujillo para almoçar. Aqui vale destacar o único porém da nossa ida para essa região. Lá a maioria dos passeios têm que ser feitos em grupos, pela facilidade logística e pela necessidade absoluta de um acompanhamento de um guia. Isso tem suas desvantagens, como o almoço no Restaurante Turístico El Sombreiro, em Trujillo, do qual só podemos dizer: não recomendado! A parte interessante é que durante o almoço ocorreram diversos shows de dança típica peruana, mas, ainda assim não compensa o ambiente e comida ruins. Sobre a necessidade do guia, fazemos a seguinte ponderação: visitar essas ruínas sem uma explicação do que aquilo significa não faz o menor sentido. Então, o jeito é se render às excursões e curtir o que elas têm de bom.

- Huaca El Dragon
Depois do almoço seguimos para a Huaca El Dragon, templo da civilização Chimu. Suas construções são feitas de barro e estão bem mais preservadas que as da cultura Moche. Esta Huaca é fantástica. Parte dela já foi restaurada e pudemos ver em detalhes sua fantástica arquitetura em forma de trapézio. As paredes são grandes, largas e bem acabadas, todas cravadas com desenhos bem elaborados, característicos daquele povo.

Os detalhes nas paredes da Huaca el Dragon

- Chan Chan
As estátua Chimu recebe os visitantes na entrada de Chan Chan
Chan Chan (que significa Sol Sol) foi a capital do antigo império Chimu. É uma cidade construída inteiramente de adobe, um material que combina barro, pedra e palha. Com 15Km2 de extensão, a cidade é considerada um dos mais importantes sítios arqueológicos do mundo e foi declarada patrimônio cultural da humanidade pela Unesco, pois preserva ainda intacta boa parte de sua estrutura.
Antes de entrar verdadeiramente no complexo de Chan Chan fizemos uma visita a um pequeno museu sobre o povo Chimu. É um lugar bem simples, e deixa a desejar, principalmente pela ansiedade de se chegar às ruínas.
E a ansiedade vale a pena! Chan Chan é impressionante, espetacular! Grandiosa e imponente, tem uma extensão que foge ao alcance do olhar. Essa é simplesmente a maior cidade de adobe do mundo! Além disso, o fato de ser pouco acessada te dá uma sensação incrível de estar desbravando um lugar que poucas pessoas no mundo conhecem.
A estrutura de barro está muito bem preservada. As construção é toda adornada com desenhos encravados no adobe ou em alto relevo. Dentro da cidade existe ainda um lago, que, ao entardecer, oferece uma linda paisagem.
O detalhe da ornamentação das paredes
A área interna da cidade
E o detalhe da arquitetura da cidade. Sensacional.
Sozinha, Chan Chan já vale a ida a Trujjilo. Algo que não pode ser mais visto em nenhum outro lugar do Peru ou do mundo.
- Balneário Huanchaco
Após a visita a Chan Chan fomos surpreendidos por um item que nem sabíamos que estava no roteiro. A visita ao balneário é curta, mas compensou bastante, pelo lindo pôr do sol.

O balneário é uma praia perto de Trujillo, onde ainda são usados os barquinhos de totora (feitos de junco). Lá, enquanto o sol se põe, é possível observar a criatividade deste povo ao criar esta embarcação, que até hoje ainda é utilizada.
A praia possui um longo píer, mas preferimos assistir ao pôr do sol da areia mesmo, com a imagem dos barcos complementando o cenário.
Os barcos de totora
De volta a Trujillo, fomos jantar no restaurante Chelsea, que aparenta ser o melhor e mais bem frequentado da cidade. Na zona história, possui um ótimo custo benefício, e serve comida local com toques internacionais. Comemos cabrito com risoto de coentro (muito forte) e frango com risoto de quinua, que é fantástico. De sobremesa, a inusitada torta de jaca, que por sinal estava maravilhosa!
O melhor de tudo foi a conta. Jantamos no melhor restaurante da cidade e comemos um menu completo, com entrada, prato principal, vinho e sobremesa, pagando por isso pouco mais de R$60,00.
Apesar de totalmente desencaixado do restante do roteiro, valeu a pena o esforço para visitar a região norte do Peru e conhecer um pouco das antigas civilizações pré-incas.

Hospedagem: Ficamos no Hotel Pullman. O hotel é simplesinho, mas muito bem localizado, e ainda fomos surpreendidos por um pisco sour de boas-vindas no quarto. O café da manhã é completo, mas deixa um pouco a desejar, principalmente porque o café era inacreditavelmente servido gelado! Na primeira noite o quarto era bem simples, e o chuveiro foi digno de uma reclamação inédita entre turistas... não tinha água fria... a quente ficava pelando e era impossível tomar banho. Na segunda noite tivemos um up grade e o novo quarto era bem melhor. Amplo, reformado, banheiro limpo, novo e bom... dessa vez, sem críticas.

Um comentário: