O Peru é demais! E é logo ali.

As belezas do país vão muito além de Machu Picchu e incluem praias, montanhas, floresta amazônica e desertos de tirar o fôlego.

La Hermosa Habana

Corra para Cuba! Ainda é possível experimentar um pouquinho do regime dos irmãos Castro e, de quebra, apreciar a boemia de Havana.

Marrocos

Ame-o ou odeie-o.

Islândia

Isolamento, natureza exuberante e clima inóspito, no extremo do planeta.

Portugal, pequeno e encantador.

Uma viagem pela história, paisagens, cultura e sabores de nossos parentes europeus.

30 de nov de 2013

Sob o sol da Toscana


Hoje temos o prazer de ter no Blog o primeiro post escrito por um colaborador. 

O Leonardo Beltrão deixou tudo pra lá para viver um período sabático pela Europa e pela Ásia. Após quase setenta dias de viagem, escreveu esse relato maravilhoso sobre um dia especial. A sensibilidade do texto mostra o que uma viagem é capaz de provocar em um viajante e nos faz lembrar exatamente porque amamos viajar.

Boa viagem!

"estou na toscana há uns 20 dias e já passei por florença, siena, cinque terre (que não é bem na toscana, mas é do ladinho, e me emocionei por lá...), pisa, lucca, san gimignano, montepulciano, região de chianti, monteriggioni, cole di val d'elsa, rapolano terme, aciano e sei lá mais quantos lugares.

mas, hoje foi um dia especial.

primeiro, porque a semana inteira fez um frio do cacete, na madrugada bateu -3°C e, durante os dias, a máxima foi de 2°C. hoje fez 6°C e daí já era alegria pura usar uma blusa a menos. acordei e o dia estava lindo, sem nenhuma nuvem no céu. tomei o café da manhã lentamente, aproveitando que nos últimos 15 dias tenho sido o único hóspede em qualquer lugar que passo. além de novembro ser o mês mais chuvoso na itália, é a época mais fria na toscana e daí todo mundo foge daqui. eu não. além de mineiro que topa praia no inverno, sou viajante daqueles destemidos e que sempre leva ao pé da letra uma frase aprendida outro dia: "já que lá tá, deixe que lá teje". cortesia da julia branco. e então topei encarar a toscana abandonada, andar em meio às belíssimas cidadezinhas medievais praticamente desertas, batalhar para arrumar um lugar aberto para comer, fugir dos programas de casais e do comércio turístico exagerado de vinhos, arrumar outros seres vivos na rua depois das 19h para tentar conversar, acho que a única coisa que ainda não foi possível.

e aí, como todo bom mineiro e taurino com ascendente em virgem, deveras precavido, terra, pé no chão, vim todo preparado para o frio e a solidão. mas daí acabei dando um pouquinho de sorte também, porque assim havia de ser. chuva mesmo, só há um tempo atrás lá em florença e em cinque terre, depois só sol. em siena, cidade incrível também , tomei coragem e aluguei um carro... pedi um cinquencento, sonho de consumo, mas alguém bateu o carro um dia antes de eu pegar e aí tive de me contentar com o panda, que é tipo igualzinho o "novo uno" do brasil. ôh tris-te-za. liguei o foda-se, não é charmoso como a toscana, tem mais cara de bologna, mas me levaria aonde eu quisesse. e no meu tempo, mais importante. e já em poucos metros de saída da cidade, fiquei completamente apaixonado por cada cantinho das estradas da toscana, exatamente como eu já tinha visto em filmes, matérias, fotografias de amigos e etc. é lindo de morrer, nossa! e aí fui visitando várias cidades, parando sempre para respirar, para contemplar o nada, escrever um pouquinho no ritmo lento da toscana.

e assim estou desde segunda-feira, eu e o meu carrinho. teria muitas outras coisas para contar, como o casal de velhinhos que me recebeu num hotel-fazenda ao lado de san gimignano, mas eu queria falar de hoje, porque hoje foi um dia especial. às vezes, parece que a gente espera uma viagem inteira por momentos inesperados como este. o dia de hoje fez valer cada um dos quase 70 dias de viagem que eu já tenho.

e então, como eu ia dizendo, acordei e tomei um café gostoso, contemplei o lindo céu azul e a temperatura amena. peguei o carro e tomei rumo à cortona, aquela do filme, do livro e das histórias, que é realmente encantadora. lá, que fica no alto de uma pirambeira, fui andando, andando, andando, depois subindo, subindo, subindo, subi até onde os turistas nunca vão, acho que nem os moradores costumam ir lá, fui parar no ponto mais alto da cidade de onde era possível ver a toscana inteira e também picos de neve, que são belíssimos. estava sozinho, eu e uma igreja gigante, e foi quase um gozo estúpido que tive naquele momento. depois desci toda a cidade e fiquei por um bom tempo na praça, um dos personagens principais de "sob o sol da toscana", apenas entendendo ou tentando entender o que era viver naquela cidadezinha onde eu com certeza ficaria para sempre.

de lá, decidi passar no lago trasimento, que é de uma beleza sem fim também. fiquei um pouco lá, mas não havia muito o que se fazer no inverno além de contemplar e foi então que tomei rumo a san fillipo, graças a uma indicação da carmela, a velhinha que me recebeu lá em san gimignano. cheguei a san fillipo como quem nada quisesse e a cidade estava deserta. dei uma volta, não vi ninguém. dei duas, já estava indo embora, quando vi uma plaquinha "fossa bianca". ah, tá. vou parar! como quem não quisesse nada... e aí fui andando, andando, andando, andei uns 20 minutos, sujei todo o pé de barro, a bota nova, a calça lavada, e depois andei mais um pouco, e fui descendo, e aí passei num riacho, e então de susto me deparei com uma das coisas mais bonitas que já vi na vida. es-pan-to é o nome disso.

a cidade é uma terme (é assim que fala?) e tem água quente, resquícios vulcânicos. as formações rochosas com o tempo foram ficando manchadas pela água quente e ficaram brancas. a cachoeira é essa aqui que está na foto, nada perto do encanto que tive em arrepios quando cheguei por lá. tirei a foto do celular, porque a máquina eu tinha esquecido no carro. o que vale é a experiência, os sentidos. e hoje eu não nadei, porque não estava preparado, mas amanhã cedo eu volto lá correndo. hoje só tinha um casal, tomara que amanhã seja apenas eu.

depois disso, ainda em transe e realmente entendendo um pouco do sentido de viajar sozinho e ter encontros comigo mesmo, parei em bagno vignoni, que é mais recalcada e com hoteizinhos mais chiques, mas tem uma bela de uma inusitada piscina natural de água quente na praça central da cidade! linda de morrer... já era quase fim do dia e decidi passar em montalcino antes de voltar para pienza, onde estou hospedado, que é uma mini-vila en-can-ta-do-ra. e para fechar o dia mágico, porque havia de ser, já era quase 17h e peguei um pôr-do-sol cor de infinito, vermelho-caramelo, pra encher os meus olhos de água, como agora estão ao finalizar esse textinho sem revisão.

um vômito do meu dia feliz, porque hoje foi um dia feliz. e amanhã a viagem continua.
daqui, vou indo ao meu encontro, espero que você também."

Leonardo Beltrão

Ps: quaisquer falhas ortográficas e gramaticais devem ser perdoadas, pois o texto foi "vomitado" no exato momento da emoção vivenciada, publicado imediatamente, sem qualquer revisão, e é por isso que transmite tanta sensibilidade. Emoção pura, nua e crua.     



28 de nov de 2013

Os mistérios de Nazca

Nazca é uma cidade bem feia e sem graça e tirando as linhas e o Cemitério de Chauchilla, não tem mais nada de interessante para fazer.
O cemitério nada mais é que um grande terreno plano, no meio do nada. São mais ou menos 12 tumbas fundas e abertas (na realidade ainda existem outras tumbas, porém fechadas), com as múmias, em perfeito estado de conservação, lá dentro. Cada tumba é dividida em duas, e contém duas ou três múmias de adultos ou bebês dentro. 
 
E não é que são simpáticas as caveirinhas...
As pessoas eram enterradas junto com os seus pertences, em posição fetal, e enroladas em panos. E assim estão até hoje: exatamente igual a quando morreram. 



O povo Nazca acreditava que preservar o corpo e enterrá-lo em posição fetal era uma garantia de que a pessoa renasceria em outra vida.
O que se vê, nas múmias, é um pano enrolado com uma caveirinha em cima e os cabelos. É impressionante a preservação dos cabelos, considerando que essas pessoas morreram há séculos. Algumas têm cabelos enormes. Uma coisa bem esquisita de se ver.



O guia nos contou que aqui estão à mostra apenas múmias de pessoas pobres, pois no caso das ricas os ladrões saqueavam as tumbas para levar seus pertences. A visita é bem legal e extremamente válida, mas um pouquinho bizarra também. No fim tem uma sala fechada onde ficam expostas, em uma redoma de vidro, duas múmias muito bem preservadas. Essas não estão enroladas no pano, então é possível ver a conservação da pele e tudo mais. Muito interessante.
Saímos do cemitério e voltamos para Nazca para visitar uma fábrica artesanal de cerâmica. A cerâmica é uma marca cultural do povo Nazca. Na pequena fábrica (uma garagem nos fundos de uma casa), ficam expostas algumas peças originais desse povo. Lá, eles ensinam aos turistas o processo de confecção das peças, e fazem réplicas para vender. O processo é bem interessante e bastante artesanal. A parte mais bacana é a forma como eles pintam a cerâmica. Os artesãos pegam as pedras brutas de diversas cores (roxo, rosa, verde, azul, branca etc) nas montanhas. Em seguida as pedras são moídas e diluídas em água, formando a tinta. A cerâmica é pintada e depois é polida com o óleo da própria pele do artesão. Após a exibição, fomos levados para a loja. Algumas coisas são até bonitas, mas é tudo muito caro.
Entramos ainda em uma fábrica de ouro, onde os trabalhadores demonstram como era a extração artesanal do metal antigamente, feita em condições precárias por gente pobre que se arriscava nas minhas. O processo é extremamente rústico e demorado. Fica claro que é tudo muito turístico e normalmente tenho pavor desses passeios, mas como não havia absolutamente mais nada para fazer até a hora do voo para visualizar as linhas, foi válido.
Voltamos para o centro da cidade e ficamos por lá até a hora do voo. Nazca é uma cidade horrível. Extremamente pobre, feia, seca e empoeirada. Não existe nada para ver ou para fazer. Em poucos minutos demos uma volta na cidade e desistimos de tentar descobrir algo interessante.
Não almoçamos, pois ouvimos dizer que é comum enjoar no sobrevoo, e seguimos para o aeroporto.

- Sobrevoo das Linhas de Nazca
O aeroporto de Nazca é exclusivo para o sobrevoo das linhas e para voos charter vindos de Lima. Chegamos, tomamos um plasil pra prevenir, e já fomos direto embarcar. Até então tudo era farra, mas ver o tamanho do avião nos deixou um pouco assustados: era minúsculo. 



Junto com a gente ainda voaram o piloto e mais três franceses. Como coube, ninguém sabe. São 3 fileiras de 2 lugares, com uma janelinha pra cada um. Você coloca um fone para ir ouvindo as falas do piloto, recebe um saquinho de vômito com capacidade para 3 litros, e decola.
Vamos dividir a descrição desse passeio em duas partes, pois elas são completamente distintas: as linhas e o voo.
A paisagem de Nazca vista do alto é maravilhosa. E as linhas... são fantásticas! Imaginar que alguém fez aquilo há tantos anos e que continua ali, intacto, é quase inconcebível. Os desenhos são enormes, os geométricos chegam a possuir quilômetros de extensão. São também extremamente nítidos e perfeitos.
Os desenhos são escavações no solo com cerca de 30 cm de profundidade. Como quase não chove na região, eles puderam ficar preservados por tanto tempo, mas ninguém sabe ao certo porque eles foram feitos ou o que significam. Existem várias hipóteses, como a de que seriam um calendário astronômico ou pistas de pouso para disco-voador, mas esse será um mistério eterno daquele povo.
As formas geométricas, por incrível que pareça, são as que mais impressionam, pois elas são muito perfeitas. Em uma das figuras foi feita uma linha reta irretocável com mais de um quilômetro de extensão... até com uma régua seria difícil, imagina sem que se tenha sequer noção da proporção da coisa, já que, visto do solo, os desenhos não passam de dutos feito na terra (só é possível avistar as figuras olhando do alto, graças ao seus enormes tamanhos, por isso a necessidade de encarar o aviãozinho).
O triângulo
Além das figuras geométricas, a aranha, o astronauta, o pássaro, o macaco, a baleia e o condor são perfeitos. Ver ao vivo e à cores essa curiosidade da humanidade é, sem dúvida, sensacional.
O astronauta
O condor
O pássaro... atenção para o tamanho do desenho, proporcionalmente à estrada
A baleia
Os detalhes da figura da aranha...
... e do macaco.
INCRÍVEL!!!!
Só que aí entra a segunda parte do relato: o voo.
Até a decolagem estava tudo ótimo, mas logo depois já começou o nervosismo. Além do avião ser super apertado e instável, ele é quente. Muito quente! Isso não combinou com o fato de estarmos suando frio de tão nervosos. O piloto até que tentou dar uma descontraída e tudo correu relativamente bem até chegar o primeiro desenho, que fica do lado direito do avião. O problema é que o piloto mostra o desenho para os passageiros do lado direito e depois faz uma volta de 180º para mostrar o desenho para os passageiros do lado esquerdo. Vou deixar pra vocês imaginarem qual é a sensação dessa voltinha. Pensaram? É a pior possível: queda de pressão, enjôo, vista escurecida e medo foram o resultado.
Mas tudo bem, sobrevivemos... e os saquinhos de vômito nem foram utilizados!
Contudo, precisamos ser sinceros: isso acaba atrapalhando um pouco o passeio, pois em alguns momentos não conseguimos nem prestar muita atenção nos desenhos. E o pior é que o alívio não vem com o pouso. O mal estar dura pelo menos mais umas duas horas após o fim do voo.
Mas resumindo tudo: o perrengue vale a pena. Como já dissemos, em Nazca estamos diante de um dos grandes mistérios da humanidade e de uma das grandes façanhas do homem: não dá pra não ver.
Depois de nos recuperarmos do voo, no hotel, fomos para o centro almoçar. Descobrimos o restaurante El Porton, no guia, e resolvemos não arriscar outro. Que bom! A comida estava ótima!!! Foi a melhor coisa de Nazca. Parece ser o lugar mais chique da cidade, o ambiente é gostoso, rola uma musiquinha peruana ao vivo, bacana mesmo. Outro oásis na viagem. 

Ficamos um tempão ali, enrolando, e ainda voltamos a pé para o hotel (era bem longe) pra ver se passava o tempo, pois tínhamos que esperar até as dez da noite, quando sairia nosso ônibus noturno para Arequipa.
Dessa vez o transporte foi da Cruz Del Sur, também muito bom, com um excelente serviço de bordo. Aqui já começamos a notar um detalhe interessante: todos os turistas que vimos desde Paracas nos acompanharam desde então. Todo mundo faz praticamente o mesmo roteiro, da mesma forma. E foi assim até o fim da viagem, vendo sempre as mesmas pessoas, até Machu Pichu. Outro detalhe sobre os turistas: são todos europeus. Além deles, australianos e canadenses e só. Nada de japoneses e nem de brasileiros, que só começam a aparecer em Cusco.

Hospedagem:

Hotel Nido Del Condor – O hotel fica em frente ao aeroporto e é enorme. A área externa é super bacana, com piscina, jardins, sala de TV e de jogos. O quarto também é muito bom, amplo, novo, com banheiro excelente. O único problema é o restaurante. O jantar não estava lá essas coisas, e o café da manhã é fraquíssimo. Mas foi uma boa opção. Talvez o único problema seja a localização. Como o hotel é bem afastado do centro, para quem vai realmente ficar em Nazca isso pode ser um ponto negativo. Mas pra quem vai apenas fazer o voo e ir embora, isso não chega a ser um problema.

26 de nov de 2013

E no meio do caminho tinha um oásis: Huacahina

Ica, que fica a cerca de duas horas de ônibus de Paracas, é uma cidade feia e caótica, cercada por dunas de areia. Fomos passar apenas um dia na cidade, só para conhecer Huacachina, um oásis no meio do deserto, a cinco minutos da cidade.
Em Ica, finalmente pudemos ver um deserto como sempre havíamos imaginado: aqueles de cinema, feitos de areia e dunas enormes que se desfazem com o vento. Só andar na estrada, entre as dunas, já foi suficientemente incrível, mas o ponto alto foi quando, de repente, avistamos o oásis (o oásis também é daqueles de cinema). Foi indescritível. O lugar é fantástico!

Oásis de Huacachina
Huacachina possui uma vegetação bem exuberante e, ao centro, um lago, onde é possível andar de pedalinho. O lugar é super organizado, com banquinhos, lojas e restaurantes. Parece uma praça. O detalhe é que essa praça está situado em meio a um enorme deserto de dunas bege.

A vilinha de Huacachina é super simpática e agradável
Contratamos um buggy (com motorista) e fomos fazer o passeio pelas dunas. Elas são enormes e quando chegamos no alto da maior delas, conseguimos ser surpreendidos ainda mais. Estávamos no meio de um enorme deserto (de baixo, no oásis, não é possível ter a noção do quanto é grande), formado por dunas de areia fina e clara que, no horizonte, ficam parecendo um mar de montanhas. 



Não se vê um único sinal de vida ou de verde ao alcance dos olhos, exceto quando o buggy para e você olha pra trás e enxerga aquele oásis lindo, com palmeiras e um lago, bem no meio de todas aquelas dunas enormes... é algo indescritível, lindo e fantástico. Fomos muito surpreendidos por esse lugar.
O passeio de buggy é o máximo. Os carrinhos vão em altíssima velocidade pelas dunas, às vezes em subidas e descidas de quase 90º. Parece uma montanha-russa. Para quem gosta de aventura é uma delícia.


Temos que mencionar também que o céu desse lugar é um espetáculo à parte. Muito azul, sem nenhuma nuvem...em contraste com as dunas claras, forma uma paisagem incrível.

A primeira parada do buggy é bem no meio do deserto para experimentar o sandboard. Pra quem não tem experiência, o único jeito de descer é de barriga, mas mesmo assim é super gostoso. 

A duna é muito alta!!! Pura emoção e alguns quilos de areia ingeridos
O problemas é subir a enorme duna na volta... a cada passo a perna afunda quase até o joelho, e a caminhada fica exaustiva! Mas vale cada segundo de esforço.

O esforço compensa!
A segunda parada é para avistar outro oásis. É um oasis bem menor que Huacachina, e bem menos bonito também, mas mesmo assim surpreende, pois é incompreensível avistar toda aquela vida no meio de tanto deserto.

A última parada é um mirante onde se tem a melhor visão do Oásis de Huacachina. Simplesmente espetacular.

O gran finale... deslumbrante, incrível!
Amamos o lugar. Lindo, diferente de tudo e emocionante. Huacachina é mperdível.
Voltamos para almoçar no oásis e experimentamos o delicioso tacu-tacu – uma panqueca frita de arroz com feijão, servida com filé. Um dos melhores pratos peruanos que experimentamos.


Ofereceram pra gente um city-tour com passeio às bodegas de pisco, mas achamos que tínhamos pouco tempo (no início da noite já partia o nosso ônibus pra Nazca), então preferimos ficar descansando e curtindo o oásis. Mas se você for fazer o passeio, não aceite o oferecido pelo operador do buggy. Qualquer motorista de taxi te leva pela metade do preço.
O que fizemos foi pedir para um taxista dar uma volta de carro com a gente pelos pontos turísticos de Ica, antes de nos levar para a rodoviária. São poucos lugares interessantes. A cidade em si não vale muito a pena, exceto por uma igreja linda destruída por um fortíssimo terremoto em 2007.
Despachamos nossas malas e ainda demos uma voltinha a pé pelo centro. Ica é uma cidade extremamente caótica. Já mencionamos a questão das buzinas no Peru (descobrimos que esse é um costume de quase todo o interior do país), mas aqui o buzinaço bate o recorde. Parar em qualquer esquina é um inferno para os ouvidos. Além disso o trânsito é caótico, cheio de tuc-tuc’s cortando todos os carros pra todos os lados... deve ser bastante estressante viver ali.

23 de nov de 2013

Paracas e Ilhas Ballestas



De Lima seguimos para Paracas, uma reserva ambiental no litoral peruano, a 270Km da capital.
O trajeto dessa vez foi feito de ônibus. Em Lima não existe uma rodoviária única, mas sim um terminal da própria companhia de ônibus, usado somente para os trajetos operados por ela. Escolhemos a Oltursa, que possui um excelente serviço. Além do ônibus confortável e bem conservado, o serviço de bordo é ótimo. Viajamos na primeira fileira em um daqueles ônibus de dois andares, o que nos permitiu apreciar a vista da estrada durante todo o trajeto.
A estrada foi construída no meio de um deserto sem fim. Exceto por algumas poucas cidadezinhas ao longo do caminho, tudo o que se vê, de um lado e de outro, é uma paisagem única, marrom, plana e árida. Como eu nunca havia estado em um deserto, achei tudo aquilo o máximo.

De repente fomos surpreendidos pelo mar, margeando o deserto à sua direita. Incrível! Estávamos presenciando o encontro do deserto com o mar: um contraste extremo e belíssimo.
Nas poucas cidades ao longo do caminho pudemos notar a enorme pobreza do interior do país. As casas são todas inacabadas, feitas de barro. As ruas são caóticas, com dezenas de tuc-tuc’s e carros sendo dirigidos sem nenhuma prudência.
Retrato típico do interior do Peru
O tempo estava nublado o tempo todo, nem um pouco diferente da paisagem nublada de Lima. Mas de uma hora pra outra o céu abriu e o dia ficou lindo!
Chegamos em Paracas, deixamos as coisas no hotel e fomos direto conhecer a Reserva.

- Reserva Nacional de Paracas

Andamos alguns minutos pelo deserto e de repente se abriu na nossa frente uma das paisagens mais bonitas que já vimos em nossas vidas: o imenso deserto marrom termina em um enorme penhasco de frente para um mar de tons azul escuro e verde, de uma cor muito viva. 
O deserto...
O mar... 
E o contraste.
O contraste das cores é lindíssimo... fica difícil saber se a paisagem é mais bonita quando olhamos pra esquerda ou pra direita, porque é tudo muito impressionante. De babar! Mesmo quando olhamos para traz, e vemos apenas aquele deserto enorme e constatamos que estamos no meio do nada, a paisagem permanece deslumbrante.

Paracas foi, desde o início, surpreendente. Uma paisagem completamente inesperada, que superou qualquer expectativa. Nenhuma foto é capaz de dar sequer uma noção da beleza deste lugar tão inusitado: o encontro do deserto com o mar é uma visão alucinante.
Dentro da reserva fomos a diversos mirantes, e não é possível identificar qual deles é o mais bonito. Ao fim, chegamos em uma praia, onde pudemos avistar o mar com o deserto ao fundo... o contraste do branco da espuma das ondas com a areia do deserto surpreendia a cada olhar.

Próximo a esta praia fica uma vila de pescadores, onde paramos para almoçar no meio dos pelicanos. Lá é possível comer peixes e frutos do mar pescados na hora. Comemos chincharrones de lula (lula a milanesa). Apesar da simplicidade do lugar, comemos muito bem.
O passeio termina em um pequeno museu dentro da reserva e em um mirador de flamingos. O museu não tem a menor graça, considerando toda a beleza que já tínhamos presenciado ao ar livre e ao vivo, e o mirador é uma grande enganação, pois, embora os flamingos estejam de fato lá, e aos montes, os turistas só podem chegar até certo ponto da ilha, ponto do qual é impossível ver qualquer coisa. O final era até dispensável, mas tudo bem, pois este lugar é simplesmente maravilhoso e imperdível.
A noite fomos a um dos poucos bares da cidade. O centro é até bastante ajeitadinho, tem um calçadão na beira do mar, com bares e restaurantes. Mas estava muito frio, o que espantou os turistas e deixou o lugar meio vazio. Paracas é a cidade onde os ricos peruanos têm casas de verão. O problema é que estávamos completamente fora da temporada.
No bar experimentamos mais um prato típico do Peru, a Jalea. Um misto de peixes e frutos do mar empanados. Delicioso.

- Hospedagem:
Hotel Mirador de Paracas – O hotel é muito simples, com quartos fracos, bem básicos, mas limpos. Foi sem dúvida o pior de toda a viagem, mas nada que atrapalhasse. Não tivemos problemas com o chuveiro e a cama era confortável. O café da manhã, embora servido individualmente na mesa, era satisfatório, com direito a ovos, pão e geléia. A área externa do hotel é que é o diferencial. Tem uma piscina enorme, churrasqueira e bar, mas, como estava frio, não teve utilidade nenhuma pra gente.

- Ilhas Ballestas


No dia seguinte acordamos com o tempo extremamente ruim... muito frio e nublado... uma pena, pois teríamos que encarar um passeio de barco com muito vento. Sem contar a visibilidade prejudicada.
Pegamos a lancha para o passeio para as Ilhas Ballestas no centro de Paracas. Logo na saída do barco, em menos de 2 minutos, já paramos para assistir aos golfinhos. Eram muitos, pulando sempre, às vezes em trios. São lindíssimos esses animais, mas pudemos vê-los muito pouco, apenas nos milésimos de segundos em que saltavam para fora da água. Mesmo assim valeu a pena. 

Logo depois paramos para observar uma ilha de pelicanos. 

Andamos alguns minutos no mar. O frio estava insuportável e o vento cortante. Isso sem contar as vezes em que a água entrava na lancha, molhando a todos. Para esse passeio é essencial estar bem agasalhado, com um corta-vento e com acessórios para cobrir nariz e orelhas.
Chegamos então ao famoso desenho do candelabro, esculpido em uma montanha. 


A visibilidade estava muito ruim, então não deu pra apreciar muito bem o desenho. De qualquer forma é impressionante imaginar que aquilo está ali há séculos. Um desenho enorme, escavado por alguém em uma pedra que mais parece uma duna de areia. Não se sabe o que significa, porque foi feito e, mais ainda, como está ali, intacto, até hoje... impressionante! Mais uma das lendas e mistérios do Peru.
Seguimos em frente, dessa vez por bastante tempo (cerca de meia hora, em alta velocidade, com aquele vento cortante - brrrrr), e chegamos a uma ilha de lobos-do-mar. 

São milhares deles! Quando os lobos avistaram a lancha muitos entraram no mar e chegaram bem perto da gente, parece até que estavam fazendo graça para os turistas. 

Eles fazem um barulho muito alto (parecem estar cantando) e têm um cheiro horrível!!! Mesmo assim são muitos fofos esses bichinhos.
Em seguida, após andar mais um pouco, chegamos finalmente às Ilhas Ballestas. 
Uma das belas formações rochosas das Ilhas Ballestas
É um conjunto de várias ilhas lotadas de pássaros. Muitos mesmo, de várias espécies, alguns voando, outros pousados nas ilhas... olhando de longe parece até que as rochas são brancas, de tantos pássaros. 


E no meio de tantos pássaros, alguns pingüins, o ponto alto da visita à ilha. Pudemos avistar vários, lindos e imponentes. 




Em uma das ilhas pudemos ver também vários leões-marinhos, bem maiores e menos barulhentos que os lobos-do-mar. 



O passeio pelas Ilhas Ballestas é imperdível, mesmo no frio. Uma oportunidade incrível de observar a fauna marinha e as beleza naturais de um lugar único no mundo.