13 de out de 2013

Havana - Dicas Práticas

1.      Como ir
Diversas companhias aéreas voam do Brasil para Cuba, com escala em seus respectivos países: Taca, Avianca, Aroméxico, Lan e Copa, que foi minha opção.
Escolhi a Copa porque era a mais barata e saia direto de Belo Horizonte. Os voos da Copa são uma ótima opção de ligação de diversas cidades brasileiras com a América Central e os Estados Unidos. Os voos são confortáveis e pontuais, e fazem escala na Cidade do Panamá.  Aproveitei para passar dois dias por lá. Depois eu conto como foi.
Quando eu fui, não havia opção de voo direto do Brasil para Cuba, mas agora ela existe. A Cubana começou a operar um voo semanal de São Paulo para Havana, com ida na quinta-feira e retorno na quarta. Se você quiser começar a sua experiência comunista ainda no Brasil, pode ser uma boa. Você irá voar em uma aeronave russa, relembrando os velhos tempos de colaboração entre a URSS e Cuba.  
2.      Quando ir
     Evite o verão, pois o calor pode ser insuportável, e a época de furacões (setembro a novembro), para evitar surpresas desagradáveis. Dezembro é nota dez: fresco, sem ser frio.
3.      Onde ficar
Essa é a dica mais importante sobre Havana: fique na cidade velha. O que Havana tem de melhor está lá. Eu não fiquei e me arrependi muito.
A maioria dos hotéis oferecidos por agências ficam em Miramar e essa é uma grande furada. O bairro é totalmente isolado de tudo, uma ilha de hotéis em meio ao nada. Fuja!!!
Existem também muitas opções de hotéis em Vedado. Menos ruim, mas ainda assim te fará depender de transporte. É em Vedado que fica o famoso Hotel Nacional. Para ficar lá, dá pra abrir uma exceção sobre a localização. Não conheci os quartos (dizem que são velhos e mal conservados), mas o hotel é realmente lindíssimo. Eu fiquei no Meliá Cohiba. Não recomendo. Não só pela localização (apesar de ser no Malecon e apesar de oferecer um shuttle gratuito para a cidade velha), mas porque o preço não compensa. É caro demais e o quarto não é lá essas coisas, embora as áreas comuns e o Havana Café sejam bem legais.
Uma outra coisa importante: se você for no verão, uma piscina no hotel é um grande negócio.
O Booking não disponibiliza hotéis em Cuba, assim sugiro escolher sua hospedagem por meio do Trip Advisor e reservar direto no site do hotel.
Outra opção é se hospedar na casa de cubanos. Deve ser uma experiência interessante. Conheço quem testou e aprovou. 
4.      Dinheiro
O dinheiro em Cuba é uma das atrações do regime do país. Como o turismo é uma das atividades econômicas mais importantes da ilha, o governo criou uma moeda só para os turistas. Dessa forma, circulam no país duas moedas diferentes: o peso cubano (CUP), moeda oficial, e o peso conversível (CUC), moeda utilizada pelos turistas.
O CUC foi criado na década de 90, para resolver o problema da desvalorização da moeda cubana. De acordo com o site Infoescola, o uso de duas moedas é inspirado em experiências da URSS e também é adotado por outros países socialistas, como a Coréia do Norte.
A cotação do CUC é estabelecida pelo governo, e aí vai uma curiosidade: por ser uma moeda artificial, não é reconhecida em nenhum outro país e possui validade apenas em Cuba (fora de lá, nada mais é do que papel).
O CUC tem sua cotação pareada ao dólar, enquanto o CUP vale tão pouco, que não dá nem pra mensurar. Nas áreas turísticas, o CUP não é aceito e os preços são todos informados em CUC. Fomos a apenas um restaurante no qual o CUP era aceito (o lugar era frequentado por turistas e cubanos), mas como não tínhamos peso cubano, tivemos que pagar bem mais caro, usando os pesos conversíveis mesmo. Caso você consiga descolar uns pesos cubanos como troco, você vai poder gastar MUITO POUCO em alguns poucos lugares, como na famosa sorveteria Coppelia, onde existe um setor apenas para locais (leia-se pessoas que possuam CUP), no qual o sorvete custa cerca de dez vezes menos e os sabores são muito mais variados. 
5.      Câmbio
Leve euro e troque tudo de uma vez. Dólar também serve, mas você terá que pagar uma taxa extra de 10% no câmbio, o que te fará perder MUITO dinheiro.
Fazer câmbio em Havana é uma tortura. As filas são enormes, as taxas são enormes...enfim, passe por isso apenas uma vez e evite perrengues. Meu dinheiro acabou e fiquei dependendo de um caixa eletrônico funcionando...a fila do caixa também era gigante. Por sorte deu tudo certo.
Atenção: Travel Money e cartões de crédito de bandeiras americanas ou emitidos por bancos americanos não são aceitos por lá. Mas com o IOF caríssimo que os brasileiros têm tido que pagar para o uso do cartão de crédito no exterior, o que realmente recomendo é não usar o cartão de crédito de maneira alguma, em lugar nenhum. 
6.      Comida
Eu AMEI a comida cubana. Ela é super simples e bem parecida com a nossa: arroz, feijão e algum tipo de carne, tudo com um tempero delicioso. É comum a refeição levar banana, preparada de várias formas. Adoro!!! Frutos do mar também são muito comuns e a lagosta é muito barata para os padrões brasileiro. Me chamou a atenção o prato Ropa Vieja, uma espécie de picadinho de carne com um tempero incrível e muito limão.
A lagosta - grande, deliciosa e barata!
O que não faltam são opções de restaurantes na cidade velha, entre eles, os tradicionais paladares (nome inspirado na novela brasileira Vale Tudo). Fora da cidade velha e dos hotéis comer (principalmente comer bem) pode ser uma dificuldade.
Os famosos paladares são pequenos restaurantes improvisados nas próprias casas dos proprietários. Já foram clandestinos, mas hoje são regularizados pelo governo. Poderia ser uma opção muito autêntica, mas com a liberação desse tipo de negócio, viraram febre na cidade e podem nem sempre ser uma boa. Alguns, mais tradicionais, oferecem comida cubana de muita qualidade. Fora isso, você irá encontrar todo tipo de restaurante e opções de comida italiana, francesa e internacional, além de muita pizza e hambúrguer.
Para beber, não faltam opções. Havana é a cidade dos drinks e são todos maravilhosos. Mojitos e daiquiris de todos os sabores estão disponíveis em bares a cada esquina. Tudo a base do autêntico rum cubano.
O delicioso daiquiri do Floridita, muito apreciado por Hemingway
E o famoso mojito da Bodeguita del Medio.
Embora não falte Coca Cola em Cuba, tomar a versão nacional do refrigerante é impagável
7.      Internet
Vá preparado para se desconectar. Ou para gastar muito. A internet em Havana é caríssima. Tão cara, que escolhemos a primeira opção: cinco dias desconectada do mundo, na ilha dos irmãos Castro.
8.      Transporte em Havana
A maioria das atrações de Havana estão concentradas na cidade velha, onde você pode fazer tudo a pé, mas para alguns lugares será necessário usar algum meio de transporte.
Taxi velho, taxi novo, bicitaxi, cocotaxi, carro antigo (conversível ou não)...opções não faltam para se locomover em Havana. Em todos os casos, negocie o preço antes. O valor inicialmente cobrado será absurdo perto do que você realmente deveria pagar.
      Os cocotaxis são divertidos e muito desconfortáveis, mas para distâncias curtas quebram o galho, pois são baratos.



Para um passeio por toda a cidade uma boa opção é a versão cubana do ônibus Hop on Hop off. É o tradicional ônibus vermelho de dois andares, que circula por todas as atrações turísticas, sendo que você pode descer nos pontos definidos, ficar o tempo que quiser e depois pegar o próximo ônibus que passar, tudo incluído em um mesmo ticket. Eu não costumo usar esse tipo de ônibus, mas em Havana ele foi uma excelente opção. Algumas atrações ficam espalhadas por pontos distantes do centro turístico. Com esse ônibus foi possível visitar todas. Além disso ele passa por áreas pouco turísticas, onde é possível conhecer a Havana de verdade.
      Outro meio de transporte que você precisa usar, ao menos uma vez, é um carro antigo conversível. Eles são um charme só. Bem cuidados e coloridos, podem garantir um passeio divertido. Além disso, nosso motorista foi o contato mais interessante que tivemos com um cubano. Durante uma hora de passeio conversamos com ele sobre todos os temas polêmicos sobre os quais morríamos de curiosidade. Ele foi muito simpático e solícito.
Meu taxi rosa choque...
...e nosso conversível laranja, com destaque para o simpático motorista

      9.      Golpes Comuns
     Havana é muito segura. Apesar disso, você com certeza não se sentirá assim. Isso porque a   abordagem com os turistas é chata e agressiva. Mas não se preocupe, se você sobreviveu ao Pelourinho, também irá sobreviver por lá. Na verdade o comportamento dessas pessoas que abordam turistas é bem compreensível: essa é a única chance que eles têm de descolar alguns pesos conversíveis. Enfim... esteja preparado para dizer não e siga em frente. Tirando isso, não há com o que se preocupar. Não existem roubos por aqui (imagino que a punição deva ser muito severa). No máximo alguns golpes, velhos conhecidos de todos os turistas. Aqui ele se reveste de um convite de um casal simpático para um festival de salsa. Fomos convidados diversas vezes. Como já sabíamos do golpe, apenas recusamos o convite. Mas conheço quem já caiu e o máximo que vai acontecer é você ter que pagar uma bebida para o casal espertinho, ou dar alguma comissão por eles terem te levado a algum bar ruim. Tudo em troca de companhia deles. Sabendo disso, pode ser até interessante cair no tal golpe inofensivo. Nós preferimos não testar. Além disso, você não deve comprar bebida e charutos na rua, mas somente de lojas credenciadas do governo (básico). Portanto, não se preocupe. Não deixe o ataque dos pega turistas te incomodar e...

Boa Viagem!!!

A Viajante.

Um comentário:

  1. Dicas super uteis e quem me deixam ainda mais na expectativa por La Habana!
    Bruno

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