O Peru é demais! E é logo ali.

As belezas do país vão muito além de Machu Picchu e incluem praias, montanhas, floresta amazônica e desertos de tirar o fôlego.

La Hermosa Habana

Corra para Cuba! Ainda é possível experimentar um pouquinho do regime dos irmãos Castro e, de quebra, apreciar a boemia de Havana.

Marrocos

Ame-o ou odeie-o.

Islândia

Isolamento, natureza exuberante e clima inóspito, no extremo do planeta.

Portugal, pequeno e encantador.

Uma viagem pela história, paisagens, cultura e sabores de nossos parentes europeus.

31 de out de 2013

De Marrakech ao Deserto do Saara

Uma boa pedida para quem está em Marrakech e tem vontade de conhecer o Saara é contratar um dos inúmeros passeios que saem da cidade em direção ao deserto.
Existem diversos tipos de tours, com duração e itinerário variados. Eu optei por fazer o tour de duas noites e três dias.  O passeio saia do nosso hotel, em Marrakech, e eram ao todo dez pessoas.
O trajeto entre Marrakech e Merzouga, na entrada do deserto do Saara, é de aproximadamente 560 km, percorridos em 12 horas. A viagem foi super cansativa, mas extremamente prazerosa, principalmente por ser tudo muito novo para mim. Nunca havia estado em um país muçulmano e agora podia conhecê-lo todo, inclusive em seu interior! 
No caminho de ida foram diversas paradas em pequenas cidades,  nas quais pude conhecer um pouco mais desse país tão encantador.
A primeira parada foi em Ait Ben addou, cidade fortificada onde foram filmados alguns filmes famosos, como Lawrence das Arábias, O Gladiador e Príncipe da Pérsia. A cidade é declarada pela Unesco como Patrimônio Mundial da Humanidade.
De Ait Ben haddou, partimos para o almoço em Ouarzazate. Não ficamos muito tempo na cidade, mas tivemos a sorte de ver carros do Rally Paris Dacar passando ao nosso lado, em plena competição. Foi uma sensação muito bacana. Os carros continuaram cruzando nosso caminho durante todo o tour.
De lá partimos em direção à Gargante de Dades, um cânion maravilhoso no alto do Rio Dades. As paisagens são belíssimas e, para os corajosos, é possível nadar no rio de água ultra gelada.
A seguir fomos para Tineghir, cidade também pequena. Paramos para ver a fabricação dos tapetes e como a lã era tratada pelas senhoras marroquinas.
A pequena cidade de Tineghir
O tratamento da lã
Passeamos por Tineghir, tomamos um chá e seguimos viagem em direção à outra garganta, a de Todra, ainda mais bonita e grandiosa que a de Dades. O cânion é bem estreito e em certos pontos chega a ter apenas 10 metros de passagem entre paredes completamente verticais, que chegam a 200 metros de altura. Uma verdadeira obra prima da natureza!
De lá fomos para o hotel, onde descansamos de um dia cansativo, porém  maravilhoso. No dia seguinte, acordamos em direção ao tão desejado sonho de conhecer o Saara.
Partimos bem cedo para mais alguns poucos quilômetros (trafegados em muitas horas) até Merzouga. Fomos direto, agora sem direito a qualquer parada. A ansiedade era mato neste momento. A cada pedaço de terra percorrido o desejo somente aumentava.
Quando chegamos em Merzouga, cidade que fica na porta do deserto, tive minha primeira sensação incrível: assistir à cena de pessoas andando todas de preto, em pleno deserto... Fiquei louco. Pedi ao motorista para parar. Ninguém se mexia dentro da van e eu eufórico, querendo parar, tirar fotos, descer! Fui contido pelo motorista que me alertou que aquilo era perigoso, estávamos em uma cidade muito pequena, onde a religião era mais tradicional do que nos grandes centros, que recebiam muitos turistas europeus.
Mesmo alertado não me contive e comecei a tirar fotos. O motorista, então, já sem paciência, falou em um tom mais alto: “por favor, pare e tome seu lugar novamente.” Obedeci, mas minha vontade era de sair para fora do carro ali mesmo, ávido por tudo aquilo que via diante dos meus olhos. Fiquei muito impressionado com aquela cena: como era diferente. Já havia visto, em outras cidades do Marrocos, pessoas com suas roupas típicas, mas aquela cena ali me marcou de forma diferente. Guardo aquela sensação na memória e me lembro como se fosse hoje.
Após a minha euforia contida, enfim chegamos ao deserto. Paramos nossa van e descemos. Os carros do Paris Dacar continuavam passando.
Conversamos com o rapaz que nos recebeu e deixamos as coisas em um local para pegá-las no dia seguinte. O motivo? Iríamos para o deserto em dromedários. Isso mesmo, uma hora em cima destes animais engraçadíssimos e muito feiosos.
Nossos dromedários
E atenção: não são camelos, mas sim dromedários. Você sabe a diferença entre eles? São três. O numero de corcovas, o pelo e a altura. Os dromedários são encontrados na Árica e os camelos, na Ásia central. Os dromedários são mais ágeis que os camelos e podem atingir até 15 km por hora. Descer e subir nestes animais são tarefas bem engraçadas. Alguns caem, outros precisam de ajuda... e para os homens....ah, depois de uma hora em cima deles haja saco (literalmente)! 
Uma hora de cavalgada e lá chegamos: o deserto do Saara!!!
Enfim, o deserto...
Nossa tenda já estava montada. Fazia uns 20 graus aproximadamente, nem frio nem calor (com uma fleece me sentia confortável naquele momento). Saímos entre as dunas do deserto para passear. Sentamos, batemos papo e o fim da tarde foi chegando... escureceu... e aí eu meu perdi! Isso mesmo, me perdi! Literalmente. Não sabia voltar para a tenda. A sorte foi que um dos membros do grupo, que estava no acampamento, começou a gritar e conseguimos chegar, guiados por sua voz. Meio desesperador, mas mais uma sensação maluca e uma boa história para contar. 
Sentamos para jantar, todos ao redor dos dois pratos preparados para 15 pessoas. Nada de prato, nada de talheres. Cada um por si e Deus por todos. Alias, Allah por todos! Famintos, avançamos na comida com as próprias mãos. A comida não era muita, mas era o suficiente para matar a fome.
Após o jantar, fomos para as tendas, dormir sob vários cobertores, pois o frio era de matar. De dia o lugar mais quente do mundo, a noite, muito, muito frio!
No dia seguinte levantamos cedo e subimos as dunas para assistir ao sol nascer. Como a areia é fofa no deserto! Afundávamos. Cada passo parecia uma eternidade. Chegamos exaustos ao topo. Mas tudo era novidade, tudo era espetacular, uma sensação incrível de estar ali, no maior e mais quente deserto do mundo! 

Descemos as dunas e pegamos nossos fiéis dromedários para retornar a Merzouga, onde nosso carro nos esperava para o longo e árduo caminho de volta. E dessa vez, sem paradas, sem visitas. Doze horas direto até Marrakech.
Se vale a pena? Muito! Tudo o que vi aqui, faz parte de umas das minhas memórias mais sensacionais. O Saara é incrível!

O viajante.

28 de out de 2013

Hospedagem no Marrocos

Como tem um monte de gente perguntando, resolvi adiantar o post sobre hospedagem no Marrocos.
No Marrocos existem todos os tipos de hotéis, dos mais simples aos mais requintados, além, é claro, dos albergues. O país possui todos os hotéis das grandes redes internacionais e também resorts de luxo e alto luxo. Mas meu grande conselho é que você se hospede em um riad, pois somente no Marrocos existe esse tipo de hospedagem e eles são simplesmente perfeitos!!!
Riads são casas típicas marroquinas, dos séculos XVIII e XIX, que, à época, eram as residências da alta burguesia do país. Com a mudança das famílias ricas para cidades mais desenvolvidas, essas residências foram reformadas e transformadas em pequenos hotéis.
O charme maior está justamente no tamanho: normalmente são pouquíssimos quartos, que fazem com que sua hospedagem seja super exclusiva.
As casas são sempre lindíssimas, com arquitetura e decoração tipicamente marroquina. Normalmente contam com um belíssimo pátio interno, que abriga áreas abertas, fontes ou jardins de inverno.
Os riads sempre oferecem um café da manhã fresquinho e completo e a grande maioria dá ao hóspede também a opção de jantar. Normalmente a comida é deliciosa e, o melhor de tudo, é sempre típica. Como comer fora no Marrocos nem sempre é seguro, jantar nos riads, ainda que você não esteja hospedado lá, é sempre uma excelente opção.
Mas além da beleza das casas, do conforto dos quartos e da comida maravilhosa os riads têm um diferencial que nunca encontrei em lugar nenhum do mundo: um atendimento simplesmente perfeito! Nos dois riads em que me hospedei fiquei encantada com o tratamento que recebi dos funcionários, sempre muito solícitos, simpáticos e hospitaleiros. Mas o mais marcante de tudo era o sorriso no rosto. Fui atendida por pessoas de grande simplicidade mas que me transmitiam uma enorme sensação de acolhimento. É quase como se sentir em casa.
Para escolher seu riad, aconselho uma busca no Booking, que já informa a disponibilidade de quartos para a data pretendida. Sobre localização, há um ponto indispensável: fique dentro da medina (ou pelo menos próximo a sua entrada). Em Marrakech, a busca maior é por locais próximos à Praça Jemaa el Fna, coração da cidade, mas fiquei um pouco afastada da praça e não me arrependi. Um pouco mais abaixo conto porquê.
Seguem os locais onde me hospedei e minhas impressões (fui em 2011, então acredito que ainda esteja bem atual).
- Marrakech: Riad les 5 Soeurs
Simplesmente perfeito!!! Não existem palavras que possam expressar com precisão meu encantamento por esse lugar. Nunca fui tão bem tratada em um hotel em minha vida. Vou guardar para sempre em minha memória a simplicidade e atenção que Abdel (o gerente do local) e Larsan (seu jovem ajudante) tiveram comigo. Abdel é um senhor já não muito jovem, com poucos dentes na boca e o sorriso mais sincero que já vi. O que ele transmite pra gente é paz, delicadeza. Enfim, uma pessoa muito especial.
Eu fiquei muito doente em Marrakech (teremos um post exclusivo sobre isso), por causa de uma extravagância alimentar na primeira noite de viagem. Foram oito dias passando muito mal, e quando a infecção chegou, com força total, foram Abdel e Larsan quem me ajudaram com todo o apoio necessário: chamaram o médico, acompanharam meu marido à farmácia para traduzir a compra dos medicamentos receitados, transferiram a gente para o maior e mais caro quarto do riad, sem cobrar nem um centavo a mais por isso (sendo que estávamos no menor e mais barato), e providenciaram canja para o jantar nos dois primeiros dias, além de um café da manhã de acordo com as recomendações médicas para todos os dias que ficamos lá. Essas duas pessoas foram fundamentais para minha melhora e me fizeram sentir realmente emocionada na minha passagem por Marrakech.
Fora o atendimento perfeito, o lugar é lindo, com belíssima decoração, camas e banheiros confortáveis, comida gostosa e internet grátis!
A belíssima fonte, no pátio interno do riad
Mais uma bela fonta, em um segundo pátio
A decoração do terraço onde era servido o café da manhã
Como preciso ser sincera, tem um problema que preciso ressaltar (mas que pra mim acabou sendo uma grata surpresa): a localização. O Riad Les 5 Soeurs fica um pouco afastado da área turística da medina, no entorno da Jemaa el Fna. Do hotel até a praça são cerca de 20 minutos de caminhada. Parece pouco, porém caminhar dentro da medina pode não ser uma tarefa muito fácil. Competir, a pé, com motocicletas enlouquecidas que andam em todas as direções buzinando o tempo todo não é nada agradável. Num primeiro momento é tenso e engraçado, mas depois a gente percebe que escapar de um atropelamento exige muita cautela e aí a situação acaba ficando apenas muito tensa. E isso é chato. Por outro lado, ficar hospedado em uma área residencial da medina nos proporcionou conhecer a verdadeira realidade do local, fora do apelo turístico (que é muito alto) dos arredores da praça. E se a praça é um espetáculo de coisas incríveis, a realidade em que vivem as pessoas no Marrocos é algo ainda mais inimaginável. Andar na vizinhança do nosso riad nos fazia sentir transportados por uma máquina do tempo para um período que, acredito, seja próximo ao da idade média: ver como funcionam o comércio, as feiras e os açougues (principalmente os açougues) era algo completamente surreal para os nossos padrões. Mas infelizmente o que prevalece nessa região é uma grande pobreza. Não é belo para os olhos, mas conhecer a medina em sua essência foi uma grande experiência de vida. E foi graças ao fato de nosso riad estar localizado nessa área que acabamos explorando tudo isso, mesmo sem saber o quanto seria interessante.
A rua do riad...
 
...sua vizinhança excêntrica...
...e o trânsito caótico de pessoas e motos.
Mas se você prefere não abrir mão da localização privilegiada, ao menos reserve algumas horas do seu dia para explorar áreas menos turísticas da medina. Só assim você conhecerá verdadeiramente Marrakech.
Outro riad sensacional e belíssimo. Não fica dentro da medina, mas fica praticamente ao lado de uma das suas entradas, então não fez muita diferença. A decoração é sensacional e o quarto enorme. O banheiro era um espetáculo à parte: lindíssimo.
Mas o que esse riad tem de melhor é a comida. Aqui comi a melhor refeição que fiz no Marrocos: um peru assado na tajine (panela de barro marroquina) com frutas e cuscuz marroquino....uhn...deu água na boca só de lembrar.
O riad também providenciou um guia super bacana para nos acompanhar pela medina. Como tínhamos pouco tempo para explorar a cidade, a presença do guia foi fundamental. Além disso pudemos conhecer um pouco mais sobre a história do país e perguntar à vontade.
O pátio interno...
...o salão central...
...onde tomávamos o café da manhã
- Casablanca: Ibis
Tivemos que dormir apenas uma noite em Casablanca, para pegar o voo de volta para Madrid. Como havia lido que Casablanca não tinha nada de muito interessante para ver (é uma cidade grande, a mais ocidentalizada do país), optei por nem conhecer a cidade. Como era só pra dormir mesmo, escolhemos nos hospedar no Ibis. Padrão Ibis, normal... Não fosse o elevador, pra nos lembrar que estávamos no Marrocos, um lugar que sempre te surpreende.
Eu é que não fico no décimo quarto andar...
A viajante.